A fragata “Tamandaré” (F200), navio-líder da classe mais moderna de navios de escolta da Marinha do Brasil, atracou pela primeira vez no Rio de Janeiro (RJ) no início desta semana. A embarcação percorreu aproximadamente 765 quilômetros desde Itajaí (SC), onde foi construída, e agora entra na fase final de preparativos para incorporação oficial à esquadra brasileira, marcada para o dia 24 de abril.
O navio de guerra é o primeiro de quatro unidades e integra um projeto com investimentos de R$ 12 bilhões, via novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal. Sua fabricação foi feita no estaleiro TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Santa Catarina, pelo consórcio Águas Azuis, formado pela empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems e pelas brasileiras Embraer Defesa & Segurança e Atech.
Para o almirante de Esquadra Eduardo Machado Vazquez, comandante de Operações Navais, o projeto representa uma mudança de patamar para a segurança naval brasileira. “Nós estamos renovando o poder naval com a nossa indústria, isso é um fato marcante. A Tamandaré chega para mudar a história da Marinha”, afirmou ele durante a recepção do navio.
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Programa Fragatas Classe Tamandaré posiciona o estado como um polo estratégico da Base Industrial de Defesa (BID). O projeto envolve a geração de cerca de 2 mil empregos diretos.
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Diferente de aquisições de oportunidade de navios usados, a Classe Tamandaré baseia-se em um processo de transferência de tecnologia. A embarcação que aportou no Rio de Janeiro na segunda-feira (16) possui capacidade para conduzir missões de guerra antiaérea, antissubmarino e de superfície de forma simultânea.
“O programa demonstra a capacidade da indústria brasileira de absorver, desenvolver e integrar tecnologias de alta complexidade, fortalecendo nossa soberania e a Base Industrial de Defesa”, pontuou o diretor-executivo da Águas Azuis, Fernando Queiroz.
Um dos destaques técnicos é o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS, da sigla em inglês), desenvolvido em parceria pela brasileira Atech e pela alemã Atlas Elektronik. O sistema integra sensores e armas, utilizando algoritmos para auxiliar o comando na tomada de decisão.
Segundo o capitão de Corveta Tiago Lino Henriques, chefe de Operações da F200, a tecnologia permite “identificar, classificar e engajar contatos com grande rapidez”, conferindo uma consciência situacional aprimorada.
Para as fragatas da Classe Tamandaré, a Marinha firmou um protocolo de intenções com a Companhia Brasileira de Cartuchos para avaliar a compatibilidade de munições nacionais com os sistemas de armas das embarcações. O objetivo é reduzir a dependência externa para suprir a demanda e reforçar a cadeia nacional do setor.
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Embora o contrato original de 2020 preveja quatro unidades, a Marinha do Brasil já anunciou a intenção de contratar um segundo lote de mais quatro fragatas, o que elevaria a frota para oito navios. O objetivo, segundo a Marinha, é substituir meios navais veteranos, como as fragatas da Classe Niterói e as corvetas Classe Inhaúma, que se aproximam do fim da vida útil.
Para o segundo lote, a meta é elevar o índice de conteúdo local de 32% para 42%. Além do aumento da participação da indústria nacional, as novas unidades deverão sair de fábrica com o míssil antinavio brasileiro MANSUP-ER integrado, que possui alcance estendido para 250 quilômetros.
Enquanto a F200 inicia sua história na Esquadra, o cronograma das demais unidades segue em execução em Itajaí. A fragata “Jerônimo de Albuquerque” (F201) deve iniciar testes de mar no segundo semestre de 2026, enquanto a “Cunha Moreira” (F202) tem lançamento ao mar previsto para junho deste ano. A quarta unidade, “Mariz e Barros” (F203), teve construção iniciada em janeiro.
A continuidade do programa é vista por analistas do setor e entidades industriais como fundamental para evitar a desmobilização da mão de obra qualificada em Santa Catarina e garantir a manutenção da capacidade de vigilância e proteção da Amazônia Azul, área marítima de mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição brasileira.
Fonte: Gazeta do Povo



