sábado, março 14, 2026
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Visto negado por Lula a assessor de Trump repercute no mundo

Veto a assessor de Trump repercute na imprensa internacional –

A decisão do governo brasileiro de barrar a entrada no país de Darren Beattie, assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos, provocou repercussão na imprensa internacional e reacendeu o debate sobre as relações entre Brasília e Washington.

O episódio ocorreu após o cancelamento do visto do funcionário americano, que planejava vir ao Brasil para participar de um evento em São Paulo e também visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

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Interlocutores do Itamaraty afirmaram que a revogação do visto ocorreu porque Beattie teria apresentado informações incompletas ou falsas no momento do pedido de entrada no país. Segundo integrantes do governo, houve “omissão e falseamento de informações” relevantes sobre o motivo da viagem.

O assessor havia informado apenas que participaria do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos e de reuniões com autoridades brasileiras, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro em Brasília.

O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal após a defesa do ex-presidente solicitar autorização para que Beattie realizasse a visita nos dias 16 ou 17 de março, durante sua passagem pelo país. Inicialmente, o ministro Alexandre de Moraes autorizou o encontro, mas voltou atrás no dia seguinte. Ao reconsiderar a decisão, o magistrado levou em conta informações enviadas pelo chanceler Mauro Vieira, que detalhou o conteúdo do pedido de visto feito em Washington.

Na decisão, Moraes destacou que a visita não estava vinculada às atividades oficiais declaradas pelo assessor e citou o risco de “indevida ingerência em assuntos internos”, argumento apresentado pelo Itamaraty ao tribunal. Bolsonaro cumpre pena na chamada Papudinha por decisão do Supremo, no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de golpe após as eleições de 2022.

Em agenda no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que determinou a proibição da visita de Beattie ao país e associou a decisão a uma medida anterior do governo americano envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, disse Lula. Em seguida, acrescentou: “Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos”.

O episódio foi interpretado por veículos estrangeiros como mais um capítulo da relação tensa entre Brasil e Estados Unidos desde o início do atual mandato do presidente Donald Trump. O jornal britânico The Guardian destacou que o caso expõe divergências persistentes entre os dois países.

“A medida expôs os muitos atritos que ainda persistem entre Washington e Brasília, apesar da relativa reaproximação entre Trump e Lula no final do ano passado. As relações despencaram para o ponto mais baixo em anos como resultado da campanha de pressão de Trump, com tarifas e sanções direcionadas a autoridades como Padilha. Mas, após o encontro dos dois presidentes na ONU em setembro passado, o clima melhorou, com Trump elogiando a ‘grande química’ entre eles”, escreveu o britânico The Guardian.

A agência Reuters também ressaltou o impacto diplomático do episódio. “Beattie, um crítico do governo brasileiro, foi nomeado pelo presidente dos EUA para um cargo de consultor sênior para monitorar o país sul-americano no mês passado, o que sugere que as relações entre as duas nações permanecem delicadas”, afirma a reportagem.

Já o The New York Times apontou que a tentativa de visita ao ex-presidente brasileiro levantou preocupações sobre possível interferência política externa. “O presidente Trump está tentando ajudar um aliado de direita no Brasil — mais uma vez”, diz o texto publicado nesta sexta-feira.

O jornal acrescentou que Trump estaria “ansioso” para salvar Bolsonaro da prisão no ano passado, quando aplicou tarifas ao Brasil e sanções ao ministro Alexandre de Moraes, mas “fracassou”.

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“Agora, o principal enviado do governo Trump para o Brasil está reacendendo os temores de que Washington não terminou suas investidas”, diz a reportagem. “A iniciativa provocou forte reação negativa no Brasil, que acusou o governo Trump de tentar interferir em seus assuntos internos a poucos meses da próxima eleição presidencial”.

Também nos Estados Unidos, o The Washington Post destacou a justificativa de reciprocidade apresentada pelo governo brasileiro. Segundo o jornal, Lula “vinculou sua decisão sobre o visto (de Beattie) a uma medida tomada em agosto pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, de revogar os vistos de autoridades brasileiras supostamente ligadas a um programa cubano que envia médicos para o exterior”.

Apesar da repercussão internacional, integrantes do governo brasileiro classificaram o episódio como um caso isolado. Nos bastidores do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, a situação é tratada como um “episódio isolado de má-fé diplomática”, e não como uma crise bilateral com os Estados Unidos.

Por esse motivo, segundo fontes do governo, não há preocupação de que o episódio comprometa um eventual encontro entre Lula e Trump, que ainda não tem data definida. As duas administrações continuam negociando nos bastidores iniciativas de cooperação no combate ao crime organizado.

Entre as propostas em discussão está um modelo inspirado no adotado por El Salvador, que prevê a transferência de presos estrangeiros capturados nos Estados Unidos para cumprir pena em outros países parceiros.



Fonte: A Tarde

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