Diretor defende a identidade cultural do Arrocha em nova montagem baiana –
Um gênero musical que nasceu na Bahia e conquistou o coração do Brasil inteiro. Surgido no final dos anos 90, no município de Candeias, o arrocha se tornou um sucesso com seu embalo envolvente e letras sobre desilusões amorosas. Celebrando a relevância e história do ritmo, o espetáculo “Arrocha – Aceita Esse Musical que Dói Menos” leva aos palcos do Teatro Módulo, na Pituba, uma história que une música, resistência e muito bom humor.
O musical acontece durante todas as quinta-feiras do mês de março, sempre às 20h, e acompanha o reencontro de dois amigos em um bar e que aproveitam o momento para relembrar suas antigas paixões. Ao decorrer da história, grandes clássicos do arrocha começam a se entrelaçar nas memórias dos personagens, fazendo o público ser tomado pelo embalo das canções.
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“Ele trata de todas essas questões de uma maneira bem humorada, de uma maneira leve, de uma maneira divertida. As pessoas se identificam porque as histórias das letras de arrocha são histórias essencialmente humanas. Então acho que é por isso que a gente tem uma adesão e uma paixão popular tão grande”, contou o ator e produtor do espetáculo, Danilo Cairo, em entrevista ao MASSA!.
A ideia para um musical com alma nordestina não nasceu ontem. Abertamente apaixonado pelo arrocha, Danilo garante que sempre buscou uma oportunidade de homenagear o gênero dentro da dramaturgia. “A ideia do espetáculo Arrocha é uma ideia que eu já carrego comigo há algum tempo. Eu sou um grande apaixonado pelo arrocha, acho um universo fantástico, principalmente as letras das músicas, as histórias que essas músicas contam”, explicou.
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A peça é uma produção do coletivo Toca Criações Artísticas, que completa 18 anos esse ano. O espetáculo Arrocha encerra a programação comemorativa do Toca. “É um espetáculo que comemora o aniversário do Toca Criações Artísticas e é um marco muito forte. O Toca sempre foi um coletivo que trabalha de maneira colaborativa com seus parceiros, dentro de espetáculos que sempre trabalharam muito com elementos como a musicalidade da cena”, afirmou.
Como esperado de um musical, o repertório desempenha um papel essencial na narrativa. Além de conversar diretamente com a trama dos personagens principais, a seleção das canções serve como uma espécie de retrospectiva do gênero.
“A gente foi desde os primeiros compositores, aí você tem Márcio Moreno, você tem Pablo, ainda no Asas Livres e depois fora do Asas Livres, tem Dino Boy, tem Nara Costa. Enfim, o pessoal que começou o movimento está bem representado, mas também tem figuras mais contemporâneas, como Thierry, tem também o maravilhoso Silvano Salles”, explicou Edvard Passos, diretor e dramaturgo da peça.
Como o arrocha é uma criação baiana, a montagem também enfatiza a territorialidade do ritmo. Para o diretor, o reconhecimento do Recôncavo Baiano é algo essencial na história do gênero. “A primeira importância de um projeto como o Arrocha é a afirmação de uma identidade do Recôncavo, o reconhecimento do arrocha como um movimento cultural genuíno, do Recôncavo, com sua importância, porque ele é muito estigmatizado”, defendeu.
Por mais que tenha conquistado o Brasil, o arrocha acaba sendo vítima da marginalização. O diretor conta que a peça é uma tentativa de colocar o gênero no seu lugar de direito. “Ele acaba entrando naquela máscara, aquela visão de música brega e as pessoas acabam não dando o devido valor que ele merece. Então, acho que o musical tem essa função inicial, de colocar o arrocha onde ele merece”, pontuou.
Em decorrência desse preconceito que cerca o estilo musical, muitos acabam o subestimando. “Arrocha – Aceita esse musical que dói menos” mostra ao público a riqueza que está presente na raiz desse estilo musical. “Eu acho que o arrocha tem uma capacidade de síntese de vários estilos musicais nordestinos, porque ele tem uma pisada do nosso forró, do nosso rei do baião, mas também agrega nele vários instrumentos”, argumentou o ator Alan Miranda
Para aqueles que derem uma chance ao espetáculo, Alan garante que a diversão é certa. Música, comédia e uma trajetória de riqueza cultural se misturam em cima do palco. “É um musical, é uma comédia musical, você vai rir muito, vai cantar muito, vai se divertir muito, mas também você vai ver o melhor do teatro baiano, porque são profissionais que estão a mais de duas décadas no mercado, influenciados por artistas que estão há cinco décadas no mercado”.
Fonte: A Tarde



