terça-feira, março 10, 2026
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Brasil faz história no esqui paralímpico: Cristian Ribera leva medalha inédita e Aline Rocha bate recorde

O Brasil viveu um dia histórico no esporte paralímpico de inverno nesta terça-feira (10). O rondoniense Cristian Ribera, de 23 anos, conquistou a primeira medalha do país na história das Paralimpíadas de Inverno ao ficar com a prata no sprint sentado do esqui cross-country nos Jogos de Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, em Tesero, na Itália.

Apontado como principal esperança de medalha do Brasil, Ribera confirmou o favoritismo desde o início da competição. Ele fez o melhor tempo das classificatórias, avançou em primeiro lugar para a semifinal e voltou a liderar sua bateria, garantindo vaga na decisão.

Na final, o brasileiro chegou a assumir a liderança e protagonizou uma disputa acirrada com o ucraniano Pavlo Bal. No trecho final da prova, porém, o chinês Liu Zixu acelerou e ultrapassou Ribera, conquistando o ouro. O brasileiro terminou com a medalha de prata, enquanto o cazaque Yerbol Khamitov garantiu o bronze.

“Só quero agradecer ao meu time, que sempre trabalhou tão duro. Minha família que está torcendo, fiz isso por eles. Queria ganhar a medalha de ouro, mas foi por muito pouco, mais mérito do chinês. Estou muito feliz, é um sonho realizado. Agora a próxima meta é o ouro“, comemorou Cristian após a prova.

Aline Rocha também brilhou nesta terça (10) | Foto: REUTERS/Sarah Meyssonnier

O dia também foi marcante para o Brasil no feminino. A paranaense Aline Rocha, de 35 anos, alcançou o melhor resultado já obtido por uma brasileira em Jogos Paralímpicos de Inverno ao terminar em quinto lugar na final do sprint sentado. Ela já havia feito história ao chegar à decisão, algo inédito para uma mulher do país na modalidade.

Aline iniciou a final na terceira colocação e chegou a disputar o bronze, mas acabou superada na reta final pela chinesa Shiyu Wang e pela alemã Andrea Eskau. O ouro ficou com a americana Oksana Masters, seguida pela sul-coreana Yunji Kim, prata, enquanto Wang completou o pódio.

“É uma emoção imensa não só de estar aqui, mas conseguir chegar pela primeira vez na final do sprint. É claro que a alegria maior ainda é do resultado do Cristian. Ele me representa, é meu herói, me ensina muito. Nos conhecemos no atletismo e começamos no esqui próximos um do outro, conquistamos muitas medalhas juntos. É uma honra ver essa conquista. Espero que esse resultado incentive mais mulheres a conhecer o esporte. Vocês podem fazer o que quiserem”, disse Aline.

Outros brasileiros também participaram das classificatórias do sprint sentado masculino. Guilherme Rocha e Robelson Lula terminaram em 18º e 20º lugares, respectivamente, e ficaram fora das semifinais. No feminino, Elena Sena ficou na 16ª colocação e não avançou. Já Wellington da Silva competiu no sprint em pé e terminou em 19º nas classificatórias.

Atual campeão mundial do sprint na categoria sitting do esqui cross-country, Ribera chegou aos Jogos como uma das grandes apostas brasileiras. O atleta nasceu com artrogripose, uma doença congênita que afeta as articulações, e passou por 21 cirurgias ao longo da infância. Ainda bebê, mudou-se de Rondônia para Jundiaí, em São Paulo, em busca de tratamento.

Ele começou a praticar esportes aos quatro anos por recomendação médica e experimentou modalidades como natação, atletismo, tênis, bocha, capoeira e dança. O esqui entrou em sua vida aos 13 anos, em um projeto de iniciação da Confederação Brasileira de Desportos na Neve.

Nos Jogos de Jogos Paralímpicos de Inverno de PyeongChang 2018, Ribera foi o atleta mais jovem da competição, com apenas 15 anos, e terminou em sexto lugar nos 15 km, até então a melhor colocação de um brasileiro na história. Já em Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim 2022, teve Covid-19 dias antes de competir e não conseguiu brigar por medalha. Em 2025, porém, venceu o circuito geral da Copa do Mundo e conquistou o Globo de Cristal da modalidade.

O esqui cross-country é a modalidade com maior participação brasileira nas Paralimpíadas de Inverno. As provas são disputadas nas categorias standing (atletas que competem em pé), sitting (em sit-ski, um assento montado sobre esquis) e vision impaired, para atletas com deficiência visual guiados por um parceiro.

Cristian Ribera volta a competir nesta quarta-feira (11), às 6h10 (de Brasília), na prova dos 10 km sentado. Ele ainda disputa o revezamento misto 4×2,5 km no sábado (14) e os 20 km sentado no domingo (15). Aline Rocha também participa dessas provas.

Fonte: Alô Bahia

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