terça-feira, março 10, 2026
spot_img
HomeDestaquesO que os vermes do deserto ensinam sobre a vida em outros...

O que os vermes do deserto ensinam sobre a vida em outros planetas

Análise física de 393 morfótipos foi combinada ao sequenciamento genético de DNA –

Considerado o deserto não polar mais seco do planeta, o Atacama esconde uma complexidade biológica que os olhos humanos não conseguem alcançar. Um estudo recente revelou uma diversidade inesperada de nematoides — pequenos vermes cilíndricos — vivendo em condições de hiperaridez.

A descoberta prova que, mesmo em ambientes extremos, o solo mantém ecossistemas estruturados e resilientes.

Tudo sobre Mundo em primeira mão!

Leia Também:

Mapeando o invisível

Os pesquisadores exploraram seis micro-habitats distintos para entender como a vida se distribui entre dunas de areia, montanhas e lagos salinos. As coletas abrangeram pontos estratégicos como o Altiplano, Aroma, Eagle Point, Paposo, as Dunas de Totoral e o Salar de Huasco.

Diferente do que se imaginava, o deserto não é um bloco único de sobrevivência, mas um mosaico de estratégias biológicas. Para identificar os organismos, a ciência uniu o clássico ao moderno: a análise física de 393 morfótipos foi combinada ao sequenciamento genético de DNA, revelando linhagens evolutivas e métodos de reprodução adaptados à sede extrema.

Bioindicadores de saúde

Os nematoides não estão lá apenas por acaso; eles funcionam como “sensores” da saúde ambiental. A pesquisa identificou dois perfis principais de comunidades.

No Salar de Huasco e em Paposo, foram encontradas espécies típicas de sistemas mais complexos e antigos. Embora mais “prósperas”, essas comunidades são altamente sensíveis a distúrbios externos.

Já no Altiplano e nas Dunas de Totoral, predominam organismos ultra-resistentes, capazes de suportar mudanças bruscas em ecossistemas mais simples e instáveis.

A descoberta abre novas portas para a astrobiologia e para o entendimento de como a vida pode persistir em outros planetas com condições severas.

No Atacama, a lição é clara: onde parece não haver nada, a vida microscópica floresce silenciosamente.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos