Enquanto a articulação da direita no Rio Grande do Sul, encabeçada por PL e Novo, consolida a pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) ao governo gaúcho, a esquerda ensaia uma aliança entre PT e PDT para a disputa eleitoral ao Executivo e ao Senado. Em fevereiro, Lula conheceu a neta de Leonel Brizola — pré-candidata ao governo gaúcho pelo PDT, partido fundado pelo líder trabalhista na década de 1980 — e passou a estudar uma coligação com a sigla.
No entanto, a tendência é que o PT siga com uma candidatura própria no primeiro turno, repetindo o racha entre lulistas e brizolistas. Na visita ao Palácio do Planalto, Juliana Brizola foi acompanhada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi — ex-ministro da Previdência Social do governo Lula, que deixou o cargo após o escândalo do INSS.
No estado gaúcho, o PDT ofereceu a vaga de candidato a vice-governador ao PT e apoio à chapa ao Senado formada por Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL).
Em todo o país, a esquerda passou a articular as chapas ao Senado com o aval de Lula, inclusive com liberação de ministros do governo federal, para enfrentar a onda de pré-candidaturas da direita conservadora na disputa pela maioria da Casa.
A chapa da direita, no Rio Grande do Sul, será formada pelos deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL). Após o encontro com Lula, Juliana Brizola disse que acredita em uma aliança de esquerda no estado, mas que respeita o tempo do PT para tomar a decisão.
“Venho dialogando com todas as forças do campo democrático, deixando de lado vaidades e disputas ideológicas para enfrentar, com seriedade, as dores da nossa população”, afirmou a neta do líder da esquerda brasileira, que morreu em 2004.
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O PT do Rio Grande do Sul lançou no final do ano passado a pré-candidatura ao governo de Edegar Pretto, atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Nas eleições de 2022, Pretto ficou na terceira colocação em uma disputa apertada com o governador Eduardo Leite (PSD) pela vaga ao segundo turno. O petista teve então 26,77% dos votos válidos, enquanto Leite ficou com a vaga, com 26,81% dos votos, para a disputa decisiva contra Onyx Lorenzoni.
O capital político de Pretto pesa a favor da pré-candidatura, que tem a pretensão de ser intensificada pelo estado com uma caravana petista ao longo destas semanas. O presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, declarou que a pré-candidatura de Pretto será mantida, em alinhamento com o presidente nacional do partido, Edinho Silva.
Nas últimas eleições municipais, PT e PDT lançaram candidaturas para a prefeitura de Porto Alegre. A neta de Brizola foi candidata pelo PDT e terminou o pleito na terceira colocação, com 19,69% dos votos válidos, atrás de Maria do Rosário (PT). A candidata petista foi derrotada por Sebastião Melo (MDB) no segundo turno, que assim conseguiu a reeleição ao cargo.

Segundo levantamento do Futura Inteligência, instituto de pesquisa da Apex Partners, divulgado no último dia 19, Pretto tem 31,3% das intenções de voto, contra 40,2% de Zucco, num eventual segundo turno entre os dois.
O deputado federal do PL e Juliana Brizola aparecem tecnicamente empatados, também em simulação de segundo turno. A pedetista tem 39,9% da preferência dos entrevistados, enquanto Zucco soma 37,7%. Sobre Pretto, Juliana abre vantagem: 37,3% contra 25,9%.
- Metodologia da pesquisa citada: O Futura Inteligência, instituto de pesquisa da Apex Partners, ouviu 800 pessoas entre os dias 9 e 10 de fevereiro. A pesquisa foi contratada pela Futura Pesquisas e Assessorias Ltda. O nível de confiança é de 95% A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. Registro no TSE nº RS-03300/2026.
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A relação entre o avô de Juliana Brizola e Lula foi decisiva na disputa pela liderança da esquerda brasileira a partir do final da década de 1980. Brizola era o principal nome da esquerda e, no retorno ao país após um período de exílio, o ex-governador gaúcho venceu as eleições para comandar o estado do Rio de Janeiro.
Em seguida, ele também passou a liderar as pesquisas às vésperas da eleição presidencial de 1989. O pleito nacional foi o primeiro com voto direto para presidente após quase 30 anos no país. No entanto, com a fundação do PT e o crescimento do movimento sindical, Lula passou a disputar com Brizola os holofotes na esquerda, o que acirrou a disputa nesse espectro ideológico.
Os dois candidatos trocaram farpas nos debates transmitidos pela televisão no primeiro turno das eleições presidenciais de 1989. Então em ascensão, Lula deixou Brizola para trás nas urnas, sendo que até aquele momento a maioria dos institutos de pesquisa apontava o segundo turno entre Fernando Collor, então no PRN, e Brizola.
Derrotado nas urnas, Brizola fez uma viagem internacional e protelou o apoio a Lula, chegando a exigir a troca do candidato a vice na chapa do PT. Depois do acordo, que incluiu propostas do PDT ao plano de governo petista, Brizola subiu ao palanque de Lula e declarou que a “elite brasileira” teria que “engolir o sapo barbudo”, caso o petista saísse vitorioso do pleito.
Em 1994, Brizola voltou a disputar o primeiro turno pelo PDT e dividiu os votos da esquerda com Lula na eleição vencida por Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, Brizola foi vice de Lula, mas a dobradinha dos líderes da esquerda não foi suficiente para impedir a reeleição do presidente tucano.
Fonte: Gazeta do Povo



