A interdição de um trecho da Praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, após a identificação de líquidos azul e amarelo na faixa de areia, acendeu um alerta: o que pode acontecer se alguém entrar no mar em uma área com altas concentrações de nitrato e cobre?
As análises preliminares apontaram concentração elevada de nitrato nas duas amostras e presença significativa de cobre no líquido azul. Diante do cenário, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) determinou a instalação de placas de advertência e restringiu o acesso à área, com base no princípio da precaução.
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O risco do nitrato: da intoxicação ao impacto no sangue
O nitrato é um composto que faz parte do ciclo natural do nitrogênio, mas em altas concentrações pode representar risco à saúde.
Principais sintomas e riscos:
- Náuseas e vômitos
- Diarreia e dores abdominais
- Tontura e mal-estar
- Dor de cabeça
- Aumento da frequência cardíaca
- Queda da pressão arterial
Em casos mais graves:
- Conversão do nitrato em nitrito no organismo
- Redução da capacidade do sangue de transportar oxigênio
- Metahemoglobinemia (“síndrome do bebê azul”)
- Cianose (pele e lábios azulados)
- Risco aumentado para bebês e crianças pequenas
Possíveis efeitos a longo prazo:
- Formação de compostos N-nitrosos no organismo
- Associação com maior risco de câncer gastrointestinal
- Possível impacto na função tireoidiana
Cobre em excesso: irritação e toxicidade
O cobre é um metal essencial em pequenas quantidades, mas pode se tornar tóxico quando presente em níveis elevados.
- Possível impacto na função tireoidiana
Sintomas por contato com a água contaminada:
- Irritação e vermelhidão na pele
- Coceira e erupções cutâneas
- Ardência ou irritação nos olhos
- Maior risco de infecção em feridas abertas
Sintomas por ingestão acidental:
- Dor de estômago
- Náuseas
- Vômitos
- Diarreia
Em exposições mais intensas ou prolongadas:
- Possível sobrecarga do fígado
- Risco de danos renais
- Toxicidade sistêmica acumulativa
Quando há nitrato e cobre juntos
A presença simultânea das duas substâncias levanta outro ponto de atenção: esse tipo de contaminação costuma estar associado a efluentes industriais, fertilizantes ou esgoto.
Além dos riscos químicos, isso pode aumentar a probabilidade de:
- Infecções gastrointestinais
- Hepatite A
- Conjuntivite
- Infecções de pele
- Doenças transmitidas por coliformes fecais
Por que a área foi interditada?
Segundo o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, a decisão de bloquear o acesso ocorreu após a identificação de líquidos de origem desconhecida em área frequentada por banhistas, pescadores e moradores.
As substâncias foram encontradas na faixa de areia localizada atrás de uma empresa que atua com estocagem e movimentação de graneis sólidos. O material, de acordo com o órgão ambiental, não apresenta características naturais da região e se tornava visível quando a areia era revolvida.
A empresa Intermarítima informou, em nota, que não movimenta produtos químicos perigosos como enxofre, amônia ou cobre e que todos os materiais operados constam em suas licenças ambientais. A companhia declarou ainda ter contratado consultoria independente para análises complementares.
Quem deve redobrar a atenção?
Bebês e crianças pequenas são os mais vulneráveis ao risco de intoxicação por nitrato. Pessoas com problemas hepáticos ou renais podem ter maior dificuldade em eliminar o excesso de cobre. Já quem tem pele sensível ou feridas abertas está mais exposto a irritações e infecções.
A recomendação é evitar qualquer contato com a água ou com a areia em áreas sinalizadas como impróprias até que as análises sejam concluídas e haja liberação oficial.
Enquanto os laudos finais não são divulgados, a interdição funciona como medida preventiva. Em casos de suspeita de contaminação, o risco não está apenas na coloração diferente da areia — mas no que pode estar dissolvido na água.
Fonte: A Tarde



