As informações de que o Brasil possivelmente abriga uma “base militar secreta chinesa” têm acendido alerta na população brasileira, especialmente diante da escalada da violência bélica, com os Estados Unidos como protagonista.
Em entrevista ao Portal A TARDE nesta quarta-feira, 4, o deputado federal Capitão Alden (PL-BA) informou que enviará ao Ministério da Defesa e ao Itamaraty um ofício questionando o posicionamento do governo a respeito do assunto.
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De acordo com um relatório divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos em 26 de fevereiro, a base estaria localizada na Estação Terrestre de Tucano, situada na sede da empresa aeroespacial brasileira Alya Space, em Salvador.
A instalação opera em parceria com a companhia chinesa Beijing Tianlian Space Technology.
“Estamos questionando o Ministério da Defesa para saber se há conhecimento sobre o funcionamento dessa empresa na Bahia, que tem relacionamento com a China e com a Rússia. É preciso saber se o Itamaraty tem conhecimento formal deste projeto e se a Agência Espacial Brasileira acompanha integralmente os termos dos contratos firmados”, afirmou o deputado.
Capitão Alden
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Soberania brasileira em jogo?
Alden disse ainda que é preciso saber se o governo brasileiro acompanha de perto toda a cooperação entre os países, já que existem contratos milionários firmados, e se a soberania nacional está em risco diante de eventual compartilhamento de informações sigilosas.
“É preciso saber se o Ministério da Defesa avaliou os possíveis impactos estratégicos dessa eventual cooperação entre essa empresa brasileira e a China, pois há contratos que superam US$ 670 milhões. É muito dinheiro. Além disso, o governo precisa saber se há algum tipo de compartilhamento de dados sensíveis. Isso atinge frontalmente a soberania nacional”, reforçou.
A declaração ocorre após o relatório citado apontar que a estação terrestre teria capacidade para rastrear ativos militares estrangeiros e influenciar a doutrina espacial brasileira.
O que é a Ayla Space?
A Ayla Space é uma empresa aeroespacial brasileira com sede em Salvador (BA). Embora se apresente como uma companhia voltada para o mercado de satélites e tecnologia espacial civil, ela entrou no radar geopolítico devido às suas parcerias internacionais.
- Parcerias suspeitas: A empresa opera a Estação Terrestre de Tucano em colaboração com a Beijing Tianlian Space Technology (China) e possui conexões técnicas com entidades russas.
- Investimento: O relatório do Congresso dos EUA cita contratos que somam cerca de US$ 670 milhões, um valor considerado astronômico para operações puramente privadas de pequeno porte no setor.
- Localização estratégica: Salvador oferece uma janela privilegiada de comunicação para satélites que orbitam sobre o Atlântico Sul, uma área de crescente interesse militar para monitoramento de rotas navais e cabos submarinos de fibra ótica.
Por que o “rastreamento terrestre” é sensível?
Muitas pessoas confundem estações de rastreamento com simples antenas de TV, mas, em termos de defesa nacional, elas são ferramentas de inteligência poderosas:
- Monitoramento de ativos: Uma estação terrestre pode detectar a posição exata de satélites espiões de outros países (como os dos EUA), permitindo que potências rivais saibam quando estão sendo vigiadas.
- Interceptação de dados: Se não houver fiscalização rigorosa, essas antenas podem ser usadas para “capturar” sinais de comunicação sensíveis que passam pelo espaço aéreo brasileiro.
- Uso dual: A tecnologia de rastreamento de satélites é a mesma utilizada para guiar mísseis balísticos intercontinentais ou coordenar operações de drones em larga escala.
- Soberania de dados: O receio do Ministério da Defesa e da oposição é que dados sobre o território brasileiro coletados por esses equipamentos sejam enviados diretamente para servidores em Pequim ou Moscou sem passar pelo crivo das autoridades brasileiras.
Fonte: A Tarde



