O relógio do fim do mundo voltou a disparar seu frenético tic-tac. A ilustração do macabro cronômetro, muito utilizada durante a Guerra Fria, voltou a doar seu sentido de suspense, com a alta tensão no Oriente Médio.
Uma guerra com efeitos globais – a terceira – está no radar dos especialistas desde os ataques e contra-ataques unindo Estados Unidos e Israel contra o Irã. Bombardeios resultantes na morte do líder dos aiatolás, Ali Khamenei, e de seus familiares e militares de alta patente, são troféus reivindicados por um entusiasmado Donald Trump.
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O argumento moralmente aceito é o de contribuírem os estadunidenses para a derrubada de um regime impopular baseado na repressão às liberdades. No entanto, causa curiosidade ou produz indício de má-fé o fato de os ianques apreciarem influenciar as políticas internas de países ricos em petróleo, como recentemente já fizeram na Venezuela.
Por desconhecimento da história e proteção de narrativas hegemônicas, esquecem-se das origens da instabilidade geradora da revolta dos turbantes. Foram os Estados Unidos, aliados da Inglaterra, os coautores da derrubada do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh quando defendeu a produção petrolífera iraniana. Terminou o Irã migrando de democracia parlamentarista para teocracia fundamentalista, na mira dos mesmos Estados Unidos há 50 anos.
Hoje, além da questão do petróleo, há a pressão da alta do dólar, produzindo tremor nas projeções para a economia mundial, caso não cessem as ogivas. Somente por arte divinatória seria possível prever quanto tempo duraria o mundo em caso de o conflito escalar para a troca de bombas nucleares.
Da validade desta proposição, compreende-se a angústia da diplomacia do Brasil, entre outros países dedicados a apelos para conter as hostilidades. Netanyahu sente-se à vontade para bombardear o Líbano; Irã ataca países aliados de Washington; e a humanidade vai cavando sua cova de alcance planetário.
Fonte: A Tarde



