segunda-feira, março 2, 2026
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como dois sobrenomes dominam a política da cidade há 40 anos

A política de Guanambi, sudoeste da Bahia, é um caso de estudo sobre a longevidade do poder. Embora a cidade ostente uma alternância democrática, um olhar mais atento revela que os nomes no topo da pirâmide pouco mudaram desde a década de 1980.

Por lá, a política não é apenas uma disputa de ideologias, mas um jogo de xadrez familiar. A alternância de poder ocorre quase exclusivamente entre dois blocos que se consolidaram após a redemocratização.

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Era Nilo Coelho e a herança Magalhães

A figura de Nilo Coelho é o pilar central dessa história. Ex-governador da Bahia e ex-prefeito por múltiplos mandatos, Nilo representa a ala tradicional da política regional. Essa influência atravessa gerações, servindo como o grande “padrinho” ou protagonista direto nas últimas quatro décadas.

Nilo Coelho | Foto: Cedoc A TARDE

Poder nas mesmas mãos

Existem fatores estruturais que explicam por que as mesmas famílias dominam o cenário por tanto tempo. O controle sobre as máquinas municipais e estaduais permite a manutenção de bases eleitorais fiéis através do assistencialismo e de obras de infraestrutura.

O custo de uma campanha e a necessidade de capilaridade no interior tornam proibitiva a entrada de “outsiders”. Jovens políticos geralmente precisam se filiar a um dos dois blocos existentes para ter chances de vitória.

Não é raro ver antigos rivais se unirem em uma chapa para derrotar um terceiro elemento, o que mantém as mesmas famílias no círculo do poder, apenas mudando a cadeira que ocupam.

Panorama atual

Atualmente, Guanambi vive um momento de transição. Enquanto as figuras históricas ainda detêm o comando, há uma pressão crescente por novas pautas, como a modernização tecnológica e a diversificação econômica para além do agronegócio tradicional.

Nilo Coelho: o patriarca do sudoeste

Nilo Augusto Moraes Coelho é a figura central da política de Guanambi. A trajetória é marcada por uma presença constante no poder, alternando entre cargos municipais e estaduais. Herdeiro de uma tradição política, consolidou-se na década de 1980.

Foi prefeito de Guanambi por quatro mandatos (eleito em 1982, 2002, 2008 e 2020), além de ter sido Governador da Bahia (1989-1991) e Vice-Governador.

Representa o “coronelismo moderno”, focado em grandes obras de infraestrutura e uma rede de influência que se estende por todo o sudoeste baiano. A longevidade é explicada pela capacidade de se manter como o principal interlocutor da cidade com o governo estadual e federal ao longo de décadas.

Charles Fernandes: ex-aliado que se tornou rival

Charles Fernandes Silveira Santana é o principal expoente do grupo que hoje rivaliza com Nilo Coelho, embora a origem política esteja ligada ao próprio grupo de Nilo.

Serviu como vice-prefeito de Nilo Coelho e assumiu a prefeitura quando Nilo renunciou para disputar outros cargos. Elegeu-se prefeito por dois mandatos consecutivos (2010 e 2012) e conseguiu transferir votos para sucessores, consolidando um grupo próprio.

Atualmente é deputado federal e a força reside na articulação com movimentos sociais e no apoio de governos de centro-esquerda (PT/PSD), contrapondo-se ao perfil mais conservador de Nilo Coelho.

Família Boa Sorte

O sobrenome Boa Sorte é um dos mais antigos na política local, muitas vezes servindo como o fiel da balança entre os grupos de Nilo e Charles. Os protagonistas foram José Humberto e Sizaltina Boa Sorte.

Sizaltina Boa Sorte: Foi prefeita da cidade (1997-2000), marcando um período em que o grupo de Nilo Coelho não estava no comando direto.

A família continua influente, com membros ocupando cargos no legislativo municipal ou secretarias, mantendo a tradição de participação direta na gestão pública há quase 40 anos.

Embora o partido no poder mude, os sobrenomes e as figuras de liderança permanecem os mesmos desde o fim da ditadura militar.

Muitos desses líderes começaram como vice uns dos outros antes de se tornarem rivais. Essa é uma característica comum para manter o poder dentro do mesmo círculo social/familiar.

Quem são os principais protagonistas da política em Guanambi?

Os principais protagonistas são Nilo Coelho e Charles Fernandes. Nilo, com uma longa história política, foi prefeito e governador, enquanto Charles, ex-vice de Nilo, se consolidou como rival e deputado federal.

Como a política de Guanambi mantém a alternância de poder?

A alternância ocorre entre dois blocos consolidado desde a redemocratização, onde antigos rivais se unem em um mesmo grupo para rechaçar novos candidatos, preservando as mesmas famílias no poder.

Qual é o papel da família Boa Sorte na política local?

A família Boa Sorte tem uma longa tradição na política de Guanambi, atuando como mediadora entre os grupos de Nilo Coelho e Charles Fernandes ao longo dos anos.

Por que a entrada de novos políticos em Guanambi é difícil?

Novos políticos enfrentam barreiras como o alto custo de campanhas e a necessidade de uma base eleitoral estabelecida, dificultando a ascensão de “outsiders” sem a tutela dos blocos dominantes.

Qual a situação atual da política em Guanambi?

A política em Guanambi está em transição, com pressão por novos temas, como modernização e diversificação econômica, mesmo que figuras históricas ainda dominem o cenário político.



Fonte: A Tarde

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