quinta-feira, fevereiro 26, 2026
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FLIPELÔ revela homenageada da edição de 2026 e celebra idealizadora

Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) revela homenageada de 2026 –

A poeta baiana Myriam Fraga será a grande homenageada da Festa Literária Internacional do Pelourinho (FLIPELÔ) 2026. A informação foi antecipada ao Portal A TARDE, que confirmou a escolha da escritora como figura central da 10ª edição do evento, marcada para acontecer entre os dias 5 e 9 de agosto, no Centro Histórico de Salvador.

Idealizadora da própria festa literária, Myriam Fraga dirigiu a Fundação Casa de Jorge Amado entre 1986 e 2016 e será celebrada justamente na edição que marca uma década do festival.

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As artes visuais do evento também dialogam diretamente com sua trajetória: serão inspiradas nas ilustrações de Calasans Neto, presentes em suas obras desde o primeiro livro, Marinhas (1964).

Segundo Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, a origem da FLIPELÔ está ligada a uma experiência vivida pela escritora ainda nos anos 2000.

“Ao participar da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2006, ano em que Jorge Amado foi homenageado, ela voltou com uma ideia na cabeça, transformar o Pelourinho em palco de uma grande festa literária”, explica.

Myriam Fraga dirigiu a Fundação Casa de Jorge Amado entre 1986 e 2016 | Foto: Acervo Fundação Casa de Jorge Amado

“Aos poucos essa ideia foi se concretizando e, assim, em 2017 conseguimos realizar a primeira edição da FLIPELÔ. Infelizmente, Myriam Fraga não conseguiu ver a concretização de sua ideia. Agora, na 10ª edição, achamos mais do que justo homenageá-la”, completa.

Produção literária e trajetória

Reconhecida como uma das maiores escritoras e poetas brasileiras, Myriam Fraga publicou 25 livros ao longo da carreira, sendo 13 de poesia, cinco de prosa e sete voltados ao público infantojuvenil. Seus poemas foram traduzidos para inglês, espanhol, francês e alemão.

A obra da autora aborda questões sociais ligadas ao Nordeste, apresenta representações marcantes da Bahia e propõe uma construção do feminino a partir da ressignificação de figuras e temas da mitologia.

Eleita por unanimidade para a Academia de Letras da Bahia, tomou posse em 30 de julho de 1985, ocupando a cadeira nº 13, cujo patrono é o poeta Francisco Moniz Barreto. Em 2015, assumiu a vice-presidência da instituição.

Também integrou a Associação Baiana de Imprensa e manteve intensa atuação jornalística. Entre 1984 e 2004, assinou no jornal A TARDE a coluna dominical “Linha D’água”, dedicada a temas culturais.

Uma edição marcada pelos 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado

A homenagem ganha ainda mais significado porque 2026 marca os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado, projeto cuja criação contou com atuação decisiva de Myriam Fraga. A escritora utilizou sua coluna no Jornal A TARDE como espaço de defesa da criação de uma instituição que preservasse o legado do autor baiano.

O empenho resultou em um convite direto de Jorge Amado e Zélia Gattai para que assumisse a direção da fundação, em 19 de junho de 1986, na Casa do Rio Vermelho, episódio narrado pela própria autora no livro Casa de Palavras (1997):

“Confesso que nesse instante tive um breve momento de pânico. Trabalhara intensamente para que o projeto se tornasse realidade. Sinceramente esperava poder continuar de algum modo a trabalhar nele, mas de repente ser colocada na direção parecia-me uma tarefa para qual possivelmente não estava preparada”.

Para o diretor executivo da Fundação Casa de Jorge Amado, Ticiano Martins, a homenagem reconhece uma trajetória essencial para a cultura baiana.

“Myriam Fraga conduziu com muita garra, dedicação e empenho a instituição, fazendo da Fundação Casa de Jorge Amado um dos equipamentos culturais mais importantes do país e de reconhecimento internacional. Um ponto de cultura que pulsa com toda força no coração do Centro Histórico de Salvador e que mantém vivo o legado de Jorge Amado e Zélia Gattai”.

A parceria com Calasans Neto

A edição de 2026 também celebra a amizade e parceria artística entre Myriam Fraga e o artista baiano Calasans Neto — pintor, gravador, ilustrador, desenhista, entalhador e cenógrafo — responsável por ilustrar suas obras desde Marinhas.

A força dessa relação foi registrada por Jorge Amado no livro Navegação de Cabotagem (1992): “A dupla é imbatível, Calá nasceu para ilustrar a poesia de Myriam, os poemas e as monotipias são da mesma matéria, visceral”.

É justamente essa parceria criativa que inspira a identidade visual da próxima edição da FLIPELÔ, ampliando a homenagem para além da literatura.

“Não temos dúvida que será uma homenagem linda, à altura de Myriam Fraga e Calasans Neto, combinando com os 40 anos da Fundação Casa de Jorge Amado. A 10ª edição da FLIPELÔ será especial”, diz Ticiano Martins.

“O sonho de Myriam Fraga se concretizou, o Pelourinho tornou-se um grande palco de uma festa literária. Nossa missão é seguir com esse sonho vivo. O povo baiano tem nos ajudado e junto com a Fundação Casa de Jorge Amado transformou a FLIPELÔ em uma das mais importantes festas literárias do Brasil”, finaliza.



Fonte: A Tarde

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