Diante de desafios climáticos e da pressão por maior eficiência nos custos de produção, produtores de cana-de-açúcar do Nordeste têm passado a priorizar o manejo do solo como estratégia central para sustentar a produtividade, a longevidade e sustentabilidade dos canaviais.
Nesse cenário, o uso de agrominerais e remineralizadores vem ganhando espaço por contribuir para a melhoria da fertilidade, do equilíbrio biológico do solo e da resiliência das lavouras.
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Stéfano Lima, gestor administrativo e comercial da Vulcano Agrominerais, pioneira na produção de remineralizador de solos no Norte e Nordeste, com produção na Bahia, explica que a diferença entre os remineralizadores e fertilizantes convencionais é caráter de construção do solo no longo prazo.
“Agrominerais e remineralizadores são insumos de origem mineral natural que têm como função repor gradualmente minerais ao solo, promovendo equilíbrio químico, físico e biológico. No longo prazo, eles se diferenciam dos fertilizantes convencionais por não atuarem apenas na nutrição imediata da planta, mas na construção da fertilidade do solo, com liberação gradual de nutrientes e efeitos mais duradouros entre safras”.
“Nos últimos anos, a lógica de produtividade da cana-de-açúcar no Nordeste deixou de estar baseada apenas na prática intensiva do manejo tradicional e passou a focar cada vez mais na qualidade e no equilíbrio do solo. O uso de bioinsumos tem mostrado que solos mais vivos e bem estruturados sustentam melhor a cultura ao longo dos cortes. Com isso, tem-se observado não apenas aumento de produtividade, mas também maior eficiência econômica e lucratividade para o produtor, ao reduzir perdas e otimizar o uso dos insumos”, aponta.
Ele afirma que essa mudança representa uma transformação na forma como o setor enxerga a produção, “há relatos de produtores que, em média, têm observado incrementos em torno de 15% na produtividade, associados a um aumento de aproximadamente R$ 3 mil por hectare em lucratividade”.
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Segundo o especialista, a produtividade da cana no Nordeste ainda é bastante heterogênea, fortemente influenciada pelo regime de chuvas, pelas características dos solos e pelo nível de manejo adotado e nesse contexto, o uso de remineralizadores, apresentam bons resultados justamente em solos mais pobres, contribuindo para a melhoria da fertilidade ao longo do tempo e para maior estabilidade produtiva da cultura.
Do lado dos produtores, a adoção dessas práticas também tem sido estratégica. Superintendente agrícola da Triunfo Agroindustrial, em Boca da Mata, Alagoas, Ademario Araujo Filho explica que decidiu investir em remineralização porque grande parte de suas áreas possui solos naturalmente pobres e arenosos, o que dificulta a retenção de nutrientes e água.
“Acreditamos no poder de remineralizar nossos solos que se encontram, em grande parte, nos tabuleiros costeiros, caracterizados por baixas quantidades de argila e camadas impermeáveis denominadas espodossolos. São solos que se formam em climas úmidos, sobre areias quartzosas, onde ocorre um processo chamado podzolização. Nesse processo, a água da chuva lava o solo, leva matéria orgânica, ferro e alumínio das camadas superficiais, e esses materiais se acumulam em uma camada mais profunda, chamada horizonte espódico”.
Efeitos na lavoura
Ele relata que os efeitos começaram a aparecer no próprio comportamento do solo e da lavoura. “Em solos pobres como os espodossolos, os remineralizadores fornecem substrato para microrganismos, os quais aplicamos concomitantemente no solo, como fungos e bactérias, percebemos claramente a resistência da lavoura às intempéries climáticas, trazendo estabilidade na produção agrícola e diminuição dos custos referentes ao controle de pragas e doenças”.
Em relação ao retorno econômico, Ademario afirma que a estratégia tem valido a pena, “os ganhos diretos e indiretos são tangíveis e seguimos no terceiro ano de aplicação em 100% da lavoura”.
Outro produtor que tem adotado essas práticas é Gustavo Castro, produtor de cana-de-açúcar. Ele conta que a decisão veio a partir de um processo de aprendizado e troca com outros profissionais do setor.
“Após participar de palestras e cursos sobre o tema, assim como em contato com outros produtores, tomei conhecimento da necessidade de repor no solo os micronutrientes que já não existem mais desde a fundação. O empobrecimento dos solos resulta em baixa produtividade”.
“Percebi o fortalecimento das plantas diante da ação de pragas, melhora na absorção dos nutrientes, transmitindo mais vigor, melhor resistência à seca e maior produtividade”, conta.
Segundo Gustavo, as mudanças passaram a ser perceptíveis tanto no solo quanto no comportamento da lavoura e em relação ao retorno econômico. Ele avalia que o uso dos remineralizadores tem sido positivo, mas reforça que a decisão deve ser estratégica.
“Compensa sim, mas cada produtor deve encontrar seu equilíbrio de custos e interpretar a adoção dessa prática como um investimento”.
Há ainda um investimento de caráter ambiental, já que esses insumos também se relacionam com a sustentabilidade e a maior resistência da produção às variações climáticas.
Segundo Stéfano, “o uso de agrominerais e remineralizadores está diretamente ligado à sustentabilidade da canavicultura, especialmente por se tratarem de produtos naturais, que atuam na construção da fertilidade do solo e reduzem impactos ambientais associados ao uso excessivo de insumos convencionais.
No caso do Vulcano, esse apelo sustentável se soma a fatores econômicos importantes, por ser um produto cotado em real, ele não sofre variações diretas do câmbio, o que traz mais previsibilidade de custos ao produtor”.
Nesse contexto, o manejo do solo com uso de agrominerais e remineralizadores como um dos pilares para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no Nordeste, alinham ganhos produtivos, sustentabilidade e maior estabilidade para os produtores.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló
Fonte: A Tarde



