sábado, fevereiro 21, 2026
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Brasil e Índia selam pacto bilionário por terras raras

Cerimônia de troca de atos assinados com o Governo da Índia –

O Brasil e a Índia oficializaram neste sábado, 21, um acordo estratégico voltado ao fornecimento de minerais críticos e terras raras — insumos considerados a espinha dorsal da tecnologia moderna. O anúncio foi feito em Nova Délhi pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo informações divulgadas pelo G1, a cooperação mira garantir base produtiva para semicondutores, baterias e equipamentos de alta complexidade. Na prática, trata-se de assegurar matéria-prima e estrutura industrial para setores estratégicos da economia digital.

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O que são as terras raras e por que elas valem tanto?

Os Elementos Terras Raras (ETRs) formam um grupo de 17 elementos químicos com propriedades semelhantes. São eles os 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y).

Entre os mais valorizados pela indústria estão neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, amplamente utilizados na produção de ímãs de alto desempenho — componentes essenciais para motores elétricos, turbinas eólicas, robótica e equipamentos de alta precisão.

Apesar do nome, esses minerais não são exatamente raros na natureza. O que os torna estratégicos é a complexidade da extração e do processamento, além do papel central que exercem no desenvolvimento tecnológico e na transição energética.

Lista dos elementos que compõem as terras raras:

Elementos de terras raras leves:

Esses são os elementos que possuem números atômicos menores.

  • Lantânio (La)
  • Cério (Ce)
  • Praseodímio (Pr)
  • Neodímio (Nd)
  • Promécio (Pm)
  • Samário (Sm)
  • Európio (Eu)
  • Escândio (Sc)
  • Ítrio (Y)

Elementos de terras raras pesados:

Esses elementos possuem números atômicos maiores.

  • Gadolínio (Gd)
  • Térbio (Tb)
  • Disprósio (Dy)
  • Hólmio (Ho)
  • Érbio (Er)
  • Túlio (Tm)
  • Itérbio (Yb)
  • Lutécio (Lu)

Elementos na tabela periódica | Foto: Reprodução / Redes Sociais

O que está em jogo na nova aliança

O entendimento vai além da simples extração mineral. A proposta envolve cooperação técnica e investimentos para consolidar uma cadeia produtiva capaz de sustentar:

  • Mobilidade elétrica e energia limpa: baterias de alta densidade e células para painéis solares;
  • Eletrônicos de consumo: peças fundamentais para smartphones e dispositivos de última geração;
  • Defesa e setor aeroespacial: ligas metálicas especiais usadas em motores aeronáuticos e sistemas militares.

O governo brasileiro defende que o país precisa deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima bruta e passar a processar esses minerais internamente, agregando valor e tecnologia ao produto final.

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A assinatura ocorreu durante uma agenda ligada a discussões globais sobre Inteligência Artificial — reforçando que não existe IA sem infraestrutura física. Data centers, chips e sistemas de processamento dependem diretamente desses insumos estratégicos.

Para a Índia, o acordo representa uma tentativa de reduzir vulnerabilidades na cadeia tecnológica global, hoje fortemente concentrada na China, que domina o refino de terras raras. Modi afirmou que o entendimento contribui para a construção de “cadeias de suprimento resilientes” em um cenário de tensões geopolíticas.

O Brasil entra na equação como potência mineral, detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, ampliando seu papel em uma disputa que envolve tecnologia, energia e soberania industrial.

Comércio em expansão e nova rota asiática

A parceria também acompanha o crescimento das trocas comerciais entre os dois países, que ultrapassaram US$ 15 bilhões em 2025. A meta agora é alcançar US$ 20 bilhões até 2030, com protagonismo dos setores de inovação e energia renovável.

Após a agenda em Nova Délhi, a comitiva brasileira segue para a Ásia Oriental. Está prevista reunião com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung e participação em fórum empresarial dedicado a semicondutores e eletrônicos — movimento que sinaliza a intenção de atrair novos investimentos para o parque industrial brasileiro.

Brasil como uma das principais reservas de Terras Raras

Brasil como uma das principais reservas de Terras Raras | Foto: Reprodução / Redes Sociais

Onde estão as terras raras no Brasil?

Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que os principais recursos estão concentrados em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.

Entre esses estados, a Bahia vem ganhando protagonismo por apresentar altos teores de óxidos de terras raras e projetos com potencial de impacto econômico relevante.



Fonte: A Tarde

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