Filme é um espelho perigoso da realidade brasileira –
O universo denso de ‘Irmandade’, série que conquistou os fãs de drama criminal entre 2019 e 2022, acaba de ganhar um novo e explosivo capítulo. O cineasta Pedro Morelli retorna ao comando da franquia com o longa-metragem ‘Salve Geral: Irmandade’, agora disponível na Netflix, elevando a tensão das engrenagens do crime organizado a um patamar cinematográfico que rivaliza com grandes produções de Hollywood.
O filme não pede licença: a narrativa abre com um plano-sequência magistral ambientado em um prédio da polícia. A câmera coreografada de Morelli mergulha o espectador em um atentado sangrento, estabelecendo de imediato o tom de uma cidade prestes a entrar em colapso. É um virtuosismo técnico que remete a clássicos como ‘Cidade de Deus’ e ‘Tropa de Elite’, mas com uma identidade urbana própria da capital paulista.
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A trama nos reintroduz a Cristina (Naruna Costa), que continua equilibrando sua ética pessoal com os laços perigosos da facção liderada por seu irmão, Edson (Seu Jorge). O ponto de ruptura desta vez é familiar e brutal: Elisa (Camilla Damião), filha de Edson, é sequestrada por policiais corruptos que exigem um resgate milionário.
Ao perceber que a farda serve apenas como escudo para o crime institucionalizado, a facção decreta o “salve geral”. O resultado é uma São Paulo sitiada, mergulhada em anarquia, onde a sobrevivência se torna uma tática de guerra diária.
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Realismo e crítica social
Ao lado da corroteirista Julia Furrer, Morelli ancora o roteiro em eventos históricos, como os ataques reais do PCC que paralisaram São Paulo em 2006. O filme utiliza o suspense para denunciar a falência do sistema político-social e a instabilidade do Estado. A atuação de Camilla Damião entrega o nervosismo necessário para uma personagem que carrega um sobrenome que é, simultaneamente, proteção e alvo, enquanto Seu Jorge impõe a gravidade de quem sustenta o peso da organização.
Embora o roteiro apresente pequenos deslizes, como diálogos ocasionalmente expositivos, a obra brilha quando o silêncio e a composição sonora assumem o protagonismo. Destaque para a sequência na Estação da Luz, onde a visão artística de Morelli atinge seu ápice.
‘Salve Geral: Irmandade’ não entrega um final feliz ou confortável. É um thriller político amargo, técnico e necessário, que prova que o cinema de ação brasileiro tem cérebro, consciência social e fôlego de sobra para dominar o streaming global.
Precisa ver Irmandade antes de Salve Geral?

O longa já é um sucesso e se tornou o segundo filme mais visto da Netflix em todo o mundo na última semana, com 8 milhões de visualizações completas no período de 9 a 15 de fevereiro. A produção nacional superou sucessos como ‘Guerreiras do K-Pop’ e o live-action de ‘Como Treinar o seu Dragão’.
O filme também conquistou o primeiro lugar na lista de filmes mais vistos de nove países: Brasil, Bélgica, Chipre, Eslovênia, Ilhas Maurício, Luxemburgo, Nigéria, Portugal e Suíça.
Para quem está em dúvida, vale lembrar que Salve Geral funciona como uma trama independente. Não é preciso ter visto Irmandade para entender a trama do filme. Porém, quem acompanhou a atração original vai pegar algumas referências.
Fonte: A Tarde



