Encontrou limite no Poder Judiciário a espalhafatosa estratégia de Donald Trump de querer ganhar no grito a imposição de tarifas às importações. Em sessão histórica, a Suprema Corte dos Estados Unidos bateu o martelo, rachando simbolicamente a tábua exibida pelo perturbado incendiário.
Como um Moisés reverso, exibindo mandamentos do mal, o presidente estadunidense produziu estresse planetário com as prepotentes porcentagens. Até uma ilha habitada apenas por pinguins entrou no radar do cênico bilionário, adepto do negacionismo, inimigo do planeta ameaçado e da humanidade.
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Agora, não há como o boquirroto alaranjado comemorar, pois sofreu revés de 6×3 no placar do tribunal, mantida a decisão contra o abuso de autoridade. Embora o derrotado tenha consignado três tentos, não foi possível evitar a formação de maioria entendendo o tarifaço como interferência no Congresso.
O debate judicial girou em torno da aplicação ou não da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, a IEEPA, na sigla em inglês. Os magistrados votaram pelo flagrante perfeito de violação de um princípio jurídico, a Doutrina das Questões Importantes – e então chegou-se à sentença.
O presidente foi desafiado a apontar uma autorização evidente do Congresso com força de justificar seu poder de impor tantas tarifas de vez. O resultado, alvissareiro para democracias sob ataque multiplicador, veio após contestação de empresas prejudicadas. A questão teve a coautoria de 12 estados, a maioria governados por democratas contrários ao uso sem precedentes das imposições unilaterais.
Um dos países afetados pelo tarifaço, inicialmente de 50% para mercadorias e produtos, o Brasil venceu Donald Trump, ao impor o recuo do falso rei. Tão enérgica resistência produziu mudança na química, como o agressor admitiu, ao desistir da pressão econômica. O revés judicial, dentro de sua própria casa, além do exemplo tenaz do Brasil pela soberania, podem servir para inibir novos urros do enfezado mandatário.
Fonte: A Tarde



