Proposta do autor parte da defesa de que história e poesia compartilham semelhanças –
Inspirado nos diálogos possíveis entre pensamento histórico e literatura, ‘Fios da história‘ marca a estreia de Célio Turino como poeta ao propor uma reflexão sobre política, coletividade e memória por meio da poesia, aproximando a criação literária da construção do conhecimento histórico.
Referência nacional em políticas culturais no Brasil, o ex-secretário da pasta no Ministério da Cultura assume, na obra, o papel de um “poeta-historiador”.
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A proposta parte da defesa de que história e poesia compartilham semelhanças fundamentais, já que ambas organizam o tempo, selecionam discursos e disputam sentidos sobre o passado, podendo atuar juntas na produção de conhecimento.
Sem vínculo a uma escola poética específica, o livro se apresenta como um manifesto crítico que atravessa dilemas contemporâneos. A superficialidade diante da inteligência artificial, a rotina adoecedora dos trabalhadores, o genocídio em Gaza e os conflitos sociopolíticos ligados à imigração aparecem como temas que conectam os versos às tensões do presente.
Em Fios da história, Célio Turino costura poesia entre as fraturas de uma ciência moderna marcada pela razão e pela separação categórica da subjetividade. Os poemas tornam-se espaço de expressão e também método de pensamento histórico, transformando a escrita poética em ferramenta de análise social e política.
A obra também revisita episódios marcantes do passado para construir uma narrativa contínua do tempo histórico, apresentado como um labirinto e não como uma linha reta.
Entre os acontecimentos abordados estão o movimento de 1917, quando mulheres protagonizaram a primeira greve do país em prol de direitos trabalhistas; o Rosa Branca, grupo de resistência na Alemanha nazista; e a luta cotidiana de indígenas e negros diante de um país que os sacrificou em nome do discurso de “progresso”.
Os poemas destacam a força das pessoas comuns, frequentemente invisibilizadas nos registros oficiais, mas fundamentais na construção da História. É nesse anonimato coletivo que o autor identifica a possibilidade de transformação do mundo, defendendo uma utopia construída pela poesia e convidando o leitor a enxergar o sonho como ferramenta de revolução.
Sobre o autor
Célio Turino é escritor, poeta, filósofo, historiador e consultor em políticas públicas, com doutorado em Humanidades (USP), mestrado em História (Unicamp), especialização em Administração Cultural (PUC-SP) e licenciatura em História (Unicamp).
Trabalhou como Secretário Nacional da Cidadania Cultural no Ministério da Cultura (2004-2010) e idealizou o Programa Cultura Viva e Pontos de Cultura, além de ter assessorado a elaboração da Lei Aldir Blanc.
É autor dos livros ‘Fios da história’ (2025), ‘Sementeira – Grãos para transformar radicalmente a sociedade via políticas culturais’ (2025), ‘Por todos os caminhos – Pontos de Cultura na América Latina’ (2020), ‘Cultura a unir os povos – a arte do encontro’ (2017), ‘Uma visão inclusiva – arte, esporte e Síndrome de Down’ (2011), ‘Pontos de Cultura – o Brasil de baixo para cima’ (2009), ‘Na trilha de Macunaíma – ócio e trabalho na cidade’ (2005) e ‘O lazer nos programas sociais” (2003), além de obras lançadas no exterior e ensaios, prefácios e artigos publicados em livros, revistas acadêmicas e sites.
Fonte: A Tarde



