A acentuada queda nos preços pagos aos produtores de cebola em Santa Catarina motivou, nesta semana, a oficialização de decretos de situação de emergência em ao menos sete municípios do estado. A medida ocorre após um período de desvalorização do produto no mercado nacional, com valores de venda reportados abaixo dos custos de produção, o que compromete a sustentabilidade financeira das propriedades rurais, especialmente na região do Alto Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis.
Até o momento, sete municípios formalizaram o estado de emergência: Ituporanga, Atalanta, Alfredo Wagner, Chapadão do Lageado, Imbuia, Leoberto Leal e Lebon Régis. O objetivo dos decretos é permitir que os produtores tenham amparo legal para a renegociação de dívidas agrícolas e o acesso a linhas de crédito emergenciais, além de mobilizar o apoio dos governos estadual e federal para o setor.
Segundo dados da Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola), a safra 2025/26 foi projetada com indicadores positivos de produtividade. A expectativa inicial do governo do estado era de um crescimento de 6,9% no volume total produzido, alcançando aproximadamente 551,7 mil toneladas.
As condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento da cultura resultaram em uma colheita volumosa e de boa qualidade técnica. No entanto, o excesso de oferta no mercado interno, somado à entrada de cebola importada e à concentração da colheita em um curto período, pressionou os preços para baixo.
Em Ituporanga, considerada a capital nacional da cebola, um estudo anexado ao decreto mostra que o custo médio para produzir um quilo do produto é de R$ 1,33 o quilo, enquanto o preço pago ao produtor tem ficado abaixo de R$ 1, chegando a R$ 0,70 em alguns casos.
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A situação do setor foi tema de debate na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) no último dia 10. “Vimos imagens de cargas e cargas de cebolas jogadas às margens das rodovias aqui no estado porque o custo de produção é maior do que o preço de venda”, relatou o deputado estadual Sargento Lima (PL).
Durante a sessão, foi destacada a necessidade de intervenção do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para a garantia de preços mínimos e a regulação das importações. “Estivemos nas propriedades de produtores e também em empresas que trabalham com a cebola, e realmente a crise é grande. O preço final de venda não cobre nem metade do custo de produção”, comentou o deputado Carlos Humberto (PL).
Os parlamentares apontaram que a atividade da cebola é o pilar econômico de dezenas de municípios catarinenses. Santa Catarina o maior produtor nacional da hortaliça, respondendo por cerca de 30% da produção brasileira.
Entre as propostas discutidas na Alesc estão o reforço de programas de subvenção de juros e a criação de mecanismos que impeçam a entrada predatória de produtos estrangeiros durante o pico da safra nacional.
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Impacto social e econômico
A baixa rentabilidade tem levado alguns agricultores a interromper a colheita ou descartar parte do produto, como aconteceu em Aurora, no Alto Vale do Itajaí, onde 11 cargas do legume foram despejados ao longo da estrada.
Em Ituporanga, a preocupação estende-se ao endividamento das famílias rurais, que fizeram investimentos em tecnologia e insumos baseados nas expectativas de uma safra rentável.
Os decretos de emergência municipais, com validade de 180 anos, vão permitir que produtores acionem cláusulas de seguro agrícola e busquem o alongamento de prazos em contratos de financiamento junto a instituições bancárias, visando a manutenção das atividades para os próximos ciclos produtivos.
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Fonte: Gazeta do Povo



