quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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PCC cria setor de redes sociais e corregedoria da facção; entenda

A existência de um setor dedicado às redes sociais e de uma espécie de corregedoria interna revela um novo patamar de organização do Primeiro Comando da Capital (PCC). É o que aponta o organograma mais recente concluído pela Polícia Civil de São Paulo, a partir de levantamento do Departamento de Inteligência Policial (Dipol), que mapeou mais de 100 integrantes distribuídos em 12 “sintonias”, como são chamados os setores da facção, além de um núcleo específico de fiscalização interna.

Entre as novidades identificadas está a chamada Sintonia da Internet e Redes Sociais, responsável por administrar comunicações por aplicativos criptografados, supervisionar o uso das redes pelos membros, monitorar conteúdos que possam expor o grupo e preservar o que a investigação descreve como “unidade ideológica”. O setor funciona como um núcleo técnico de suporte digital e, segundo o relatório, seria comandado pelos presos André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos subordinados à Sintonia Final.

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Corregedoria interna

Outro ponto considerado inédito é o Setor do Raio X, descrito como uma corregedoria interna. A estrutura teria a função de fiscalizar integrantes, auditar contas das demais sintonias, apurar condutas e aplicar sanções disciplinares. De acordo com o documento, o comando estaria com Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.

No topo da hierarquia permanece a Sintonia Final, apontada como o núcleo máximo de decisão. O líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, segue como principal nome, atualmente custodiado na Penitenciária Federal de Brasília. Ao lado dele aparecem Júlio César Guedes de Moraes, o Julinho Carambola; Rinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal; Cláudio Barbará da Silva, o Barbará; e Adeilton Gonçalves da Silva, o Maranhão, único fora do sistema prisional. Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o Marcolinha, irmão de Marcola, é citado como apoio direto da cúpula.

Logo abaixo está a Sintonia Final do Sistema, encarregada de garantir o cumprimento das ordens dentro das penitenciárias. O levantamento indica que 61 integrantes da cúpula estão presos, muitos no sistema federal, mas a organização mantém comando ativo e ramificações no Brasil e em pelo menos 28 países.

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A estrutura também inclui a Sintonia Restrita, voltada aos temas mais sensíveis, com nomes como André Luiz Meza Costa, o Pleiba, e Eduardo Marcos da Silva, o Dudinha. A ela se liga um braço tático operacional que executa decisões estratégicas de alto risco, reunindo integrantes como André Vinícius Nunes de Souza, o Confusão, e Ivan Garcia Arruda, o Degola, este último preso.

Expansão internacional

A expansão para fora de São Paulo e do país é coordenada pela Sintonia dos Estados e Países, responsável pela articulação do tráfico internacional. Estimativas do Ministério Público apontam que o PCC movimenta cerca de R$ 10 bilhões por ano, com atuação na América do Sul, Europa, África e Ásia.

Estrutura financeira

No eixo financeiro, a Sintonia do Progresso é descrita como o motor ligado principalmente ao narcotráfico, buscando crescimento estruturado e lucrativo. Já a Sintonia da Padaria funciona como o caixa da organização, arrecadando e administrando recursos provenientes de contribuições internas e atividades ilícitas.

A atuação territorial diária fica a cargo da Sintonia da Rua, enquanto a Sintonia Interna mantém o controle nas unidades prisionais, considerada a base operacional nas cadeias.

Instância deliberativa

O documento também menciona o chamado Quadro dos 14, instância deliberativa responsável por julgamentos internos e decisões disciplinares. Entre os nomes associados está Fernando Gonçalves dos Santos, o Azul ou Colorido, preso sob acusação de envolvimento no assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes.

Ainda segundo o levantamento, aparecem como associados Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho; Caio Bernasconi Braga, o Fantasma da Fronteira; e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, empresário investigado por fraudes bilionárias no setor de combustíveis, que nega ligação com a facção.



Fonte: A Tarde

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