quarta-feira, fevereiro 18, 2026
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Setre propõe que cervejarias deem gelo e bebida de graça para ambulantes

O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia, Augusto Vasconcelos, fez, nesta quarta-feira, 18, um balanço contundente sobre as condições de trabalho durante a folia momesca.

Em defesa do que classifica como “trabalho decente”, o titular da Setre destacou os avanços da gestão estadual, mas não poupou críticas ao modelo de exploração comercial que atinge os trabalhadores da ponta, especialmente os ambulantes, por parte da prefeitura da capital baiana.

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“Dinheiro precisa chegar na ponta”

Ao analisar o volume financeiro movimentado pela festa, Vasconcelos apontou uma disparidade entre o lucro dos grandes grupos e a realidade de quem trabalha nos circuitos.

“A gente sabe que grandes cervejarias, patrocinadores e a própria Prefeitura arrecadam bastante com a ativação do Carnaval, mas é necessário que esse dinheiro chegue na ponta para quem mais precisa. É lamentável ainda identificarmos situações de ambulantes que vêm com a família inteira e passam 15 dias ao relento, sem ter um lugar adequado para dormir, descansar ou ter higiene”, afirmou Augusto Vasconcelos.

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O secretário defendeu que as marcas que exigem exclusividade de venda nos circuitos assumam os custos logísticos que hoje sufocam a renda do trabalhador. Ele propôs a substituição do modelo atual por um regime de comodato.

“Os ambulantes reclamam muito que têm que pagar para a cervejaria antes, comprando a mercadoria para vender com exclusividade. Eu penso que é possível pensar num regime de comodato, onde os ambulantes recebam a mercadoria da cervejaria, que já vai lucrar muito. As cervejarias poderiam assumir o custo e a logística do gelo, que consome boa parte da renda do ambulante”.

Augusto Vasconcelos também reforçou que o suporte social precisa ser antecipado, criticando a falta de alinhamento com a gestão municipal em pontos sensíveis como o acolhimento de crianças.

“Precisaríamos ter creches e espaços do cuidado mais antecipados, já que essas famílias vêm para cá muito tempo antes. O governo do estado fez a maior ação da história, mas a gente precisa também contar com o poder público municipal e com os patrocinadores”.

Diálogo com as categorias

Segundo o gestor da pasta estadual, as propostas de melhoria nasceram de reuniões com sindicatos de cordeiros, catadores, moto taxistas e motoristas de trios.

“O governador tem um compromisso muito forte com essa causa e tem a certeza de que, ouvindo as categorias, a gente pode encontrar caminhos para aperfeiçoar. Eu espero que no próximo carnaval a gente possa superar e garantir que a marca do carnaval baiano seja a marca do trabalho decente”, finalizou.



Fonte: A Tarde

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