Bell Marques foi um dos artistas envolvidos em polêmica –
O Carnaval de Salvador 2026 entrou para a história não apenas pela grandiosidade, mas também por uma sucessão de impasses que reacenderam um debate antigo: o ritmo dos trios, os intervalos entre as saídas e os gargalos que transformam os circuitos em verdadeiros “engarrafamentos” a céu aberto.
Ao longo dos dias de festa, artistas e blocos tradicionais tornaram públicas suas insatisfações. Nomes como Daniela Mercury, Anitta, Bell Marques, Olodum e Filhos de Gandhy utilizaram o microfone e as redes sociais para questionar atrasos e a compressão do público nos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).
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Diante das reclamações, especialmente sobre a qualidade dos equipamentos e a organização da fila, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, explicou que a pressão sobre a abertura da festa e a estrutura dos trios envolve uma limitação técnica e de mercado. Segundo o gestor, a alta demanda simultânea torna impossível atender a todos os artistas com o padrão máximo de equipamento no mesmo dia.
“A gente hoje tem Carnaval em outros lugares, então não tem trios suficientes que são montados com a qualidade que todos os artistas exigem no dia que ele quer. Na abertura, todo mundo queria se apresentar. A quantidade de equipamentos de alto padrão, trio tipo A, é limitada. O mercado não vê como sustentável montar trio tipo A para todo mundo apenas para o Carnaval. Por isso, são montados em categorias (A, B, C) para atender a demanda. Não dá para o artista ter trio A para todo mundo no mesmo dia. Isso é impossível”, afirmou o prefeito, ao ser questionado pelo Portal A TARDE.
Reis citou como exemplo o cantor Edcity, que não desfilou em um trio categoria A na abertura, mas ressaltou que a disponibilidade muda conforme os dias: “Na quarta-feira de cinzas, quem quiser se apresentar com trio tipo A da prefeitura, tem à vontade”.
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Circuitos sob pressão
A logística dos circuitos, que pode levar mais de cinco horas para ser concluída, tem sido o estopim de diversos episódios neste ano:
Anitta e a segurança: na sexta-feira, 13, a cantora interrompeu seu show no circuito Dodô. Ela se recusou a avançar enquanto o trio à frente bloqueava a passagem, alertando para o risco de esmagamento da “pipoca”. Vários foliões caíram e foram pisoteados. Em uma publicação do Grupo A TARDE, ela sugeriu intervalos maiores entre as saídas.
Bell Marques e o Olodum: No domingo, 15, Bell relatou que o bloco Camaleão enfrentou uma longa retenção devido a pneus esvaziados no carro de apoio do Olodum. O incidente gerou um efeito dominó no fluxo da Barra-Ondina.
Durval Lelys: Também no domingo, o trio de Durval Lelys sofreu uma pane e atrasou o desfile após um problema no Barra-Ondina.
Filhos de Gandhy: Na segunda-feira, 16, houve um mal-estar na concentração. Representantes do afoxé pediram respeito à tradição e ao horário de saída, questionando a antecipação do bloco de Bell Marques.
Daniela Mercury x Psirico
No circuito Dodô, após o trio de Daniela Mercury apresentar um problema técnico e precisar encostar próximo ao farol, o trio da banda Psirico ultrapassou a ordem estabelecida para a saída. No entanto, a reviravolta veio depressa: o trio de Márcio Victor também enfrentou problemas.
Depois de uma confusão para reorganizar a fila, a banda Psirico deu ré, e Daniela, que já travava uma batalha judicial pela prioridade no circuito, iniciou sua apresentação por volta das 20h. Já em cima do trio, a cantora comentou a situação: “Te amo, Márcio Victor, mas Deus sabe de tudo. Era o nosso lugar. Antiguidade é posto”, disparou.
Após a polêmica, Márcio Victor também se manifestou, já em cima do trio, e saiu em defesa da cantora. “O Carnaval precisa ter mais respeito, principalmente para as mulheres, que merecem todo o respeito do mundo. Mulher é para ser respeitada, e Daniela Mercury é nossa rainha”, afirmou.
Fonte: A Tarde



