Artista afirmou que ainda não acompanhou as manifestações de outros artistas –
A cantora Daniela Mercury falou pela primeira vez sobre as críticas recebidas após a disputa judicial envolvendo o Bloco Crocodilo no Carnaval de Salvador.
Em entrevista ao Portal A TARDE, a artista afirmou que ainda não acompanhou as manifestações de outros artistas e que pretende se posicionar com mais profundidade apenas depois da festa. “Eu não vi, não tive tempo. Mas depois do Carnaval eu respondo com calma.”
Tudo sobre Carnaval em primeira mão!
Leia Também:
A declaração acontece em meio à repercussão da decisão do Tribunal de Justiça da Bahia que restabeleceu a ordem oficial dos desfiles no Circuito Dodô (Barra-Ondina) para o Carnaval 2026, suspendendo a liminar que havia garantido ao Crocodilo a primeira posição na programação.
Entenda a polêmica envolvendo o Bloco Crocodilo
A controvérsia começou quando a Justiça da Bahia concedeu liminar em mandado de segurança movido pela empresa responsável pelo bloco liderado por Daniela Mercury.
A decisão determinava que o Crocodilo voltasse a abrir os desfiles no domingo, 15, e na segunda-feira, 16, retomando o que foi apontado como sua posição histórica no circuito.
O entendimento inicial considerava o critério de antiguidade previsto no regulamento do Carnaval, destacando que o bloco foi pioneiro no Circuito Barra-Ondina ao inaugurar o trajeto em 1996. A medida obrigava o Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) e a Saltur a restabelecer imediatamente a ordem histórica.
No entanto, às vésperas da folia, o Tribunal concedeu efeito suspensivo ao recurso apresentado por blocos tradicionais e derrubou a liminar. O desembargador responsável entendeu que não há comprovação de direito automático à primeira posição e ressaltou que a ordem dos desfiles é definida anualmente com base em critérios técnicos, administrativos e logísticos.
Críticas de artistas e reação do Carnaval
Após a disputa judicial, Daniela Mercury passou a ser alvo de críticas públicas, inclusive de integrantes ligados ao Olodum. Euzébio Cardoso, ex-diretor executivo de artes do bloco afro, classificou a atitude da cantora como “traição” e defendeu que o Comcar avaliasse possível punição ao Crocodilo.
Ele relembrou a relação histórica entre a artista e o grupo e criticou o momento escolhido para a ação judicial, afirmando que o Olodum sempre abriu os desfiles de domingo no circuito.
O debate também envolveu representantes da organização do Carnaval. Segundo Pedro Costa, coordenador executivo do Comcar, a ordem dos blocos considera vários critérios, não apenas a antiguidade, incluindo regras de continuidade e participação anual.
Daniela diz não ter conflito com colegas
Diante da repercussão, Daniela negou desentendimentos pessoais com outros artistas e afirmou manter postura respeitosa dentro do Carnaval. “Vocês aqui podem ver: não tem nenhum problema com nenhum colega, pelo contrário. Sempre fui muito gentil, carinhosa, respeitosa. Quem não está sendo respeitoso é a turma aí. O resto está tudo bem.”
A cantora também citou sua trajetória pública e o histórico de entrevistas concedidas sobre o tema. “Eu puxei em entrevistas grandiosas, capa da Revista Ilustrada da Folha de São Paulo, dizendo que eu ia fazer o circuito. Então, assim, contra fatos não há argumentos. Então não adianta.”
Apesar da polêmica dominar o noticiário nos últimos dias, Daniela afirmou que não pretende reduzir sua participação na festa à disputa judicial e às críticas recebidas.
“Eu não quero resumir meu Carnaval a isso. É porque a gente precisa falar as coisas que têm que ser faladas, né? Falando do poder da mulher, a gente sabe como é que acontecem as coisas, e eu ainda sou uma mulher LGBTQIA+, então eu não vou ficar em um lugar que não é de direito meu, não importa o que a gente tenha que fazer, nem que eu tenha que deitar no meio da praça.”
Fonte: A Tarde



