No meio da explosão de cores do Carnaval, o desfile do Bloco Afro Infantil Ibéji segue outro compasso: o da memória, da identidade e da formação cultural desde cedo.
Para Jéssica, 33 anos, a história com o bloco começou ainda na infância.
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“Eu acompanho o bloco desde quando eu era criança”, conta. Depois de um período afastada, ao retornar para Salvador, decidiu que precisava reviver a experiência — agora ao lado dos filhos Hilary, Mezute e Hannah.
Quando anunciou em casa que iriam desfilar, ouviu do filho: “O que é Ibéji?”. A resposta veio carregada de significado. “Você vai saber. Vai ser inesquecível na sua vida.”
Ela explica que Ibéji significa gêmeos na tradição afro-brasileira — e, no caso dela, o simbolismo é ainda mais forte: as meninas são gêmeas. “Eu não poderia deixar de vir”, afirma.
“Tem que permanecer”
Ao falar sobre a importância do bloco infantil, Jéssica é direta: “Com certeza tem que permanecer.”
Para ela, o Carnaval não é apenas território adulto. “É um momento de alegria, de diversão, não só para os adultos.”
Ela acredita que o bloco proporciona algo mais profundo às crianças. “A criança se descobre de uma forma surreal”, diz. Para a mãe, estar na avenida é também reconhecer identidade, fortalecer raízes e manter viva a essência cultural.
“Temos a nossa essência, temos as nossas raízes, que não podem ficar despercebidas”, reforça.
Rei Mominho e o orgulho da família
Desde 2023, Vanessa Santana também desfila com a família no Ibéji. Mãe de Ananda e Vinícius e tia de Ayana, ela vive o bloco como celebração coletiva.
Neste ano, Vinícius ocupa um posto especial: será Rei Mominho. O título já havia sido conquistado por ele em 2024 e se repete em 2026.
Vanessa e as filhas
“É muito gratificante”, afirma Vanessa. Para ela, a alegria do desfile é contagiante. “É muito bom, muito gostosa, muito divertida.”
Mas o significado vai além da festa. “O bloco traz essa ancestralidade, traz a cultura negra, a cultura afro”, destaca. Segundo ela, colocar as crianças na avenida é garantir que as raízes “não se acabem” e continuem vivas no Carnaval.
Identidade que começa cedo
Entre mães que retornam à avenida e filhos que ocupam o protagonismo, o Ibéji transforma o Carnaval em espaço de pertencimento.
“Vai ser inesquecível”, disse Jéssica ao filho. Na avenida, a frase deixa de ser promessa e vira legado.
Fonte: A Tarde



