domingo, fevereiro 15, 2026
spot_img
HomeDestaquesMãe que desfilou na infância volta ao Ibéji com as filhas gêmeas

Mãe que desfilou na infância volta ao Ibéji com as filhas gêmeas

No meio da explosão de cores do Carnaval, o desfile do Bloco Afro Infantil Ibéji segue outro compasso: o da memória, da identidade e da formação cultural desde cedo.

Para Jéssica, 33 anos, a história com o bloco começou ainda na infância.

Tudo sobre Carnaval em primeira mão!

“Eu acompanho o bloco desde quando eu era criança”, conta. Depois de um período afastada, ao retornar para Salvador, decidiu que precisava reviver a experiência — agora ao lado dos filhos Hilary, Mezute e Hannah.

Quando anunciou em casa que iriam desfilar, ouviu do filho: “O que é Ibéji?”. A resposta veio carregada de significado. “Você vai saber. Vai ser inesquecível na sua vida.”

Ela explica que Ibéji significa gêmeos na tradição afro-brasileira — e, no caso dela, o simbolismo é ainda mais forte: as meninas são gêmeas. “Eu não poderia deixar de vir”, afirma.

“Tem que permanecer”

Ao falar sobre a importância do bloco infantil, Jéssica é direta: “Com certeza tem que permanecer.”

Para ela, o Carnaval não é apenas território adulto. “É um momento de alegria, de diversão, não só para os adultos.”

Ela acredita que o bloco proporciona algo mais profundo às crianças. “A criança se descobre de uma forma surreal”, diz. Para a mãe, estar na avenida é também reconhecer identidade, fortalecer raízes e manter viva a essência cultural.

“Temos a nossa essência, temos as nossas raízes, que não podem ficar despercebidas”, reforça.

Rei Mominho e o orgulho da família

Desde 2023, Vanessa Santana também desfila com a família no Ibéji. Mãe de Ananda e Vinícius e tia de Ayana, ela vive o bloco como celebração coletiva.

Neste ano, Vinícius ocupa um posto especial: será Rei Mominho. O título já havia sido conquistado por ele em 2024 e se repete em 2026.

Vanessa e as filhas | Foto: Iarla Queiroz

“É muito gratificante”, afirma Vanessa. Para ela, a alegria do desfile é contagiante. “É muito bom, muito gostosa, muito divertida.”

Mas o significado vai além da festa. “O bloco traz essa ancestralidade, traz a cultura negra, a cultura afro”, destaca. Segundo ela, colocar as crianças na avenida é garantir que as raízes “não se acabem” e continuem vivas no Carnaval.

Identidade que começa cedo

Entre mães que retornam à avenida e filhos que ocupam o protagonismo, o Ibéji transforma o Carnaval em espaço de pertencimento.

“Vai ser inesquecível”, disse Jéssica ao filho. Na avenida, a frase deixa de ser promessa e vira legado.



Fonte: A Tarde

- Advertisment -spot_img

Mais lidos