domingo, fevereiro 15, 2026
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Como gringos e baianos estão se entendendo para namorar no Carnaval

Elan, Erez e Perek –

Além da música e da festa, Carnaval também é sinônimo de beijo na boca – e quem vem de fora sabe disso. Atraindo foliões do mundo inteiro, Salvador é palco de diversos encontros durante os dias de folia, que ultrapassam a barreira linguística e deixam as línguas bem coladinhas.

No circuito Barra-Ondina, três jovens de Israel são prova viva disso. O trio chama atenção não apenas pelo hebraico no meio da multidão, mas pela naturalidade com que se integra à dinâmica da folia baiana.

Tudo sobre Carnaval em primeira mão!

Elan, Erez e Perek vieram ao Brasil seguindo uma tradição comum entre jovens israelenses. Depois do serviço militar ou ao completar 20 anos, todos recebem financiamento para fazer uma grande viagem, geralmente para a Ásia ou América do Sul.

Elan escolheu fazer um tour por vários países da América Latina, e parar na Bahia no melhor momento para visitar Salvador. “Meu irmão me disse que a melhor festa de todas era aqui, no Brasil, em Salvador. E eu entendi que precisava vir para cá”, conta.

Junto com ele, estavam um amigo de infância com o qual não falava há seis anos, Erez, e um outro israelense, Perek, que conheceu esse amigo nas ruas de Salvador na primeira de quatro vezes em que visitou a cidade.

“O Brasil é minha cidade preferida no mundo. Cada vez é mais louca que a última”, diz Perek.

E como funciona a comunicação?

Nenhum dos três fala português, mas isso não tem sido empecilho para viver a Bahia a fundo. Solteiros, os três confirmam que já viveram experiências típicas da folia e amaram o que experimentaram.

“Poucas (brasileiras) falam inglês, mas eu sei um pouco de espanhol, então entendo um pouco na mistura. O espanhol é a chave da comunicação, deixa tudo mais fácil”, contam.

Em alguns momentos, eles chegaram a testar aplicativos de idioma, como o Duolingo, mas não gostaram da experiência: “Eles ensinam frases estranhas, aprendemos a falar que ‘gato toma leite'”.

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Elan, então, encontrou o “Language Transfer”, aplicativo que ajuda na tradução de idiomas a partir do inglês. Mas, no circuito, o celular nem sempre é necessário.

Se ninguém fala a mesma língua, a resposta vem direta: “Se você sente uma boa conexão com a pessoa, nem precisa falar”.

“É como se você dissesse: ‘Quero te beijar’. E ela não entende as palavras, mas entende o que você quer”, diz.

Quanto aos beijos, os próprios gringos afirmam ficar “sem palavras para descrever”. “Incríveis. Os melhores beijos da minha vida”, conta Perek.

Brasileiros gentis

Vindo de um pouco mais perto, a estadunidense Maya decidiu viajar assim que terminou o colégio e, quando percebeu que o período coincidiria com o Carnaval de Salvador, não pensou duas vezes até conhecer a festa.

“Eu queria conhecer a América do Sul. Fiz algumas pesquisas e decidi que eu queria vir para Salvador. E então eu só fui”, diz.

Maya | Foto: Marina Branco | Ag. A TARDE

A experiência, segundo ela, superou qualquer expectativa. “Até agora, eu adorei. Todo mundo tem sido tão gentil. A festa é incrível, eu amo a música, mesmo sem entender nada… amo a cidade, é tão linda”, conta.

Tradução popular

Maya encontrou na convivência do hostel a primeira ponte linguística, quando perguntou quem falava inglês e se aproximou de um grupo de brasileiras que ajudavam na tradução.

“Eu perguntei às pessoas no meu hostel se alguém falava inglês e havia algumas garotas que falavam, então eu comecei a ficar com elas. Elas falavam em português com as outras garotas que não falavam inglês e alguém traduzia para mim”, relata.

“Falávamos um pouco de inglês, um pouco de espanhol, um pouco de português e um monte de gestos para tentar entender o outro” completa.

Ela mesma define a experiência com uma palavra simples: “Foi um misto”. Sem dominar português ou espanhol, Maya se apoia principalmente no inglês, mas reconhece que o Carnaval facilita o entendimento além das palavras.

Entre música alta, risadas e dança compartilhada, o idioma deixa de ser obstáculo absoluto e passa a ser apenas mais um detalhe na experiência que, ao invés de enxergar as línguas como barreiras, escolhe aproximá-las cultural e fisicamente nas ruas dos circuitos.



Fonte: A Tarde

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