sábado, fevereiro 14, 2026
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MicroTrio de Ivan Huol comemora 30 anos e participa do Carnaval

Desde que os primeiros mega trios elétricos surgiram no carnaval de Salvador, na década de 1970, esses monumentais carros de som se reproduziram incessantemente. O sucesso foi tanto que hoje em dia há centenas deles, inclusive espalhados do Oiapoque ao Chuí. E apesar de estarem diretamente associados à festa soteropolitana, há tempos o trio deixou de ser uma exclusividade nossa.

Mas nem só de grandiosidades eletrificadas vive o festejo de Momo. Há exatos 30 anos, surgia o MicroTrio idealizado pelo músico Ivan Huol. Em cima de um simples carro de passeio, quatro músicos – Cinho Damatta (voz e violão), Ivan Bastos (baixo e vocal), Ivan Huol (bateria e voz) e Fred Neto (guitarra baiana) – saem tocando pelos circuitos oficiais da festa.

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Sem cordas, eles arrastam um público alternativo com o propósito de criar uma relação – entre música, rua e folião – de proximidade, liberdade e inovação, reafirmando, assim, uma conexão com diferentes territórios simbólicos da festa.

“Temos um público fiel que segue o trio, com muitos artistas, músicos, dançarinos, atores, profissionais liberais e gente que nem conhece a gente e se junta a nós no desfile”, argumenta Huol.

A ideia é resgatar o espírito dos antigos bloquinhos de rua, agora com a potência eletrificada pela guitarra baiana – patrimônio da festa. No repertório, axé, ijexá, samba, frevo, forró, MPB e músicas internacionais, sempre com releituras criativas.

Segundo Huol, o MicroTrio mostrou que é possível tocar no carnaval com estruturas mais modestas e sustentáveis, sendo uma alternativa real aos trios elétricos tradicionais, caros e pesados.

“O desenho do MicroTrio, que é uma volta à ideia original de Dodô e Osmar, traz o folião novamente pra perto dos artistas. Sempre disse que imitações ao nosso triozinho seriam muito bem-vindas e o mais incrível é que hoje somos uma ‘categoria’, com muitas iniciativas como a nossa pipocando no carnaval e democratizando ainda mais nossa festa maior”, comenta Ivan.

O tema deste ano será ‘MicroTrio 3.0 – Três décadas de alegria em movimento’, uma celebração que revisita a própria história do projeto e reafirma seu papel na preservação e reinvenção do carnaval de Salvador.

E a agenda é a seguinte: amanhã (14), no Circuito Dodô (Barra/Ondina), no início da tarde; domingo (15), no Carnaval do Pelô (Largo Terreiro de Jesus), às 17h; e na segunda-feira (16), na tradicional Mudança do Garcia – bloco de resistência popular, irreverência política e forte mobilização social, que sai do bairro do Garcia em direção ao circuito Osmar (Campo Grande) –, pela manhã, com participação especial da sambista baiana Juliana Ribeiro.

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Moraes e Armandinho

Com uma estética própria, o MicroTrio nasceu em 1996 com o intuito de colocar músicos e foliões no mesmo nível, compartilhando chão, som e vibração na mesma intensidade, já que o carnaval caminhava para produzir música em escalas cada vez mais altas e maiores.

“Em três décadas nos firmamos no cenário do carnaval de Salvador tocando um repertório diferenciado, num volume saudável e com o primeiro e único (infelizmente) trio que não usa gerador de energia a explosão convencional”, destaca Huol.

E mesmo com tantos altos e baixos para conseguir participar da festa durante estas três décadas, Ivan garante que eles seguem tocando aquilo de que gostam, sem amarras e imposição do mercado. “Queremos levar nossa música sempre de maneira gratuita para o folião pipoca”.

“Vamos sentindo o clima e testando nosso repertório, que é muito grande e variado. Gostamos de abrir os trabalhos com frevos instrumentais, dando aquele sabor retrô dos antigos carnavais. Depois é só escolher entre axé, pop rock, galope, bolero, MPB, enfim, muito Moraes, Armandinho, Gerônimo e Luiz Caldas”, detalha o baterista.

E, claro, o samba, tema do carnaval soteropolitano em 2026, não poderia ficar de fora. “A saída com a participação de Juliana Ribeiro, na Mudança do Garcia, na segunda-feira, é muito focada no samba e sempre faz muito sucesso com o nosso público, que gosta de valorizar as raízes baianas ligadas a esse gênero musical”, esclarece Huol.

Visão humanista

Para o violonista Cinho Damatta, que é integrante do grupo há 20 anos, é muito gratificante fazer parte desta equipe, cantando e tocando. “O Microtrio representa um marco na minha trajetória como artista. Um ponto de referência dos mais importantes da minha carreira musical”.

Também no ‘triozinho’ – desde o final dos anos 1990 –, o baixista Ivan Bastos acredita que o pequeno carro de som “representa uma visão mais humanista da manifestação carnavalesca, promovendo uma proximidade maior com o folião”.

E justamente em um período de muita requisição de músicos para uma festa volumosa como o carnaval baiano, Bastos e Damatta garantem que vão tocar somente com o MicroTrio. “Raramente, faço uma apresentação com outro artista, pela questão da agenda e também por opção”, finaliza Ivan Bastos.

Sem dúvida, hoje, o MicroTrio é um símbolo do carnaval alternativo de Salvador, aquele que valoriza a rua como palco e o encontro como essência. Nesses 30 anos, o grupo reafirma que a grandeza da festa não está na escala, mas na intensidade da experiência.

O patrocínio é da Bahiagás e Governo do Estado (sábado e segunda), e do Edital Carnaval do Pelô, promovido pelo Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.

MicroTrio / dia 14, Circuito Dodô (Barra/Ondina), início da tarde / dia 15, Largo Terreiro de Jesus, 17h / dia 16, saída do Garcia em direção ao Campo Grande, pela manhã



Fonte: A Tarde

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