O mês de janeiro acendeu um sinal de alerta para a saúde pública no município de Feira de Santana. Dados da Vigilância Epidemiológica municipal apontam 769 casos de diarreia registrados apenas nas primeiras semanas deste ano.
De acordo com o médico gastroenterologista Luiz Almeida, coordenador do serviço de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), o índice de ocorrências chama atenção e reforça um cenário típico do verão: aumento de doenças gastrointestinais associado ao calor, à alimentação fora de casa e ao maior risco de contaminação por água e alimentos.
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Médico gastroenterologista Luiz Almeida
“Existe uma sazonalidade. No verão e no começo do ano, a diarreia costuma aumentar porque o calor facilita que os alimentos estraguem mais rápido. Além disso, as pessoas viajam mais, comem mais fora de casa e ficam mais expostas a água e gelo de procedência duvidosa”, explica.
Formas de contaminação
Segundo o médico, a transmissão acontece principalmente pela chamada via “boca-intestino”, por meio de água, mãos e alimentos contaminados. Almeida afirma que beber água sem tratamento adequado, consumir comida mal conservada, saladas e frutas mal higienizadas ou até levar a mão suja à boca após tocar superfícies contaminadas estão entre as situações mais comuns de contágio.

Alimentos contaminados estão entre as
Mas há outras formas de contaminação, exlica o médico. Seguno o especialista, doenças virais como gripe, covid-19, dengue e outras viroses respiratórias também podem provocar sintomas intestinais.
“Algumas viroses dão sintomas no intestino porque causam inflamação no corpo todo e podem alterar o funcionamento do trato digestivo, a absorção de água e a motilidade intestinal. No caso da Covid-19, isso é relativamente comum. Na dengue também pode acontecer. E às vezes a pessoa está com uma virose respiratória e, ao mesmo tempo, pega um vírus intestinal, por isso os sintomas podem se misturar”, esclarece.
Tratamento
Diante dos primeiros sintomas, como afirma o médico, a primeira medida é reforçar a hidratação com uso de soro de reidratação oral, além de manter uma alimentação leve, livre de gorduras.
Com relação aos conhecidos remédios para “prender” o intestino, Dr. Almeida comenta que “pode ser perigoso quando há suspeita de infecção bacteriana mais forte, porque especialmente se tiver febre alta, sangue nas fezes ou dor intensa, porque pode piorar o quadro”. Se houver sinais de alerta, o correto é procurar atendimento.
Complicações
Quando não tratada corretamente, a diarreia pode causar desidratação severa, queda de pressão, desequilíbrio de sais minerais e até comprometimento dos rins. Em alguns casos, pode ser necessária internação para hidratação venosa. “O mais importante é não subestimar os sintomas. Persistiu por dois ou três dias ou surgiram sinais de alerta, é hora de procurar atendimento”, reforça o especialista.
Luiz Almeida alerta que crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas precisam de uma atenção redobrada, pois podem se desidratar mais rapidamente.
Para Almeida, o principal risco é a desidratação. “A diarreia preocupa quando começam sinais como tontura, fraqueza, boca seca e pouca urina. Sangue nas fezes, febre alta e dor abdominal forte também não são esperados e precisam de avaliação médica”, destaca.
*Kenna Martins é correspondente do Grupo A Tarde em Feira de Santana
Fonte: A Tarde



