segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Feminicídio: Pai de Sashira Camilly cobra justiça e diz que única família destruída foi a da vítima

Às vésperas do julgamento de Rafael Souza, acusado do feminicídio da estudante Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos, marcado para esta terça-feira (10), no Fórum Filinto Bastos, em Feira de Santana, o empresário Célio Barbosa, pai da jovem, falou sobre a dor da família, a expectativa por justiça e a importância do julgamento para o enfrentamento da violência contra a mulher.

Em entrevista ao Acorda Cidade, Célio relatou sofrimento permanente da perda e contestou a ideia de que várias famílias teriam sido afetadas pelo crime. Segundo o relato do pai, Rafael Souza tinha uma medida protetiva em vigor na época e chegou a deixar Vitória da Conquista, sendo levado pela família para outro estado. O retorno do acusado à cidade não teria sido comunicado à família da vítima.

No dia do crime, ele teria marcado um encontro sob o pretexto de uma conversa, Sashira foi levada a um local que frequentava habitualmente e, posteriormente, conduzida para uma área afastada da cidade, onde ocorreu o crime. A jovem foi dopada e brutalmente esfaqueada.

Feminicídio: Pai de Sashira Camilly cobra justiça e diz que única família destruída foi a da vítima
Célio Barbosa | Foto: Ed Santos/Acorda Cidade

“Às vezes as pessoas costumam falar que foram quatro famílias destruídas, mas a única família destruída foi a nossa, porque a gente não tem mais a Sashira com a gente”, afirmou. Segundo ele, enquanto os envolvidos mantêm algum tipo de convívio familiar, a família da vítima lida diariamente com a ausência irreparável da jovem. “Então a única família destroçada e destruída é a nossa, pela perda da nossa galega.”

Sashira foi brutalmente assassinada em 15 de setembro de 2021, em Vitória da Conquista. O crime teve grande repercussão e, por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), o julgamento foi transferido para Feira de Santana. Rafael Souza responde por feminicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além da análise do crime de ocultação de cadáver.

Para Célio Barbosa, mais de uma pessoa participou diretamente do crime. “Três pessoas [envolvidas]. Rafael, que era um ex-namorado dela, e mais dois amigos dele”, disse, reforçando que, para a família, todos têm responsabilidade. “Então a participação de todos os três, são três assassinos, Isso não resta dúvida, tanto quem articulou, como os dois executores. Para nós não tem diferença um do outro, não. Para nós são todos os três assassinos de Sashira”, declarou o pai ao Acorda Cidade.

Ao falar sobre o julgamento, Célio destacou que a condenação não apaga a dor, mas pode representar um avanço para a sociedade, porque é preciso punir os criminosos. “A gente sabe que a nossa Sashira não retorna mais. Então a gente quer que a justiça seja feita. Que outros pais não estejam aqui sentados contigo dando entrevista para falar que sua filha passou pelo mesmo problema que a nossa filha passou”, declarou.

Ele também afirmou confiar no Tribunal do Júri. “Eu confio e eu tenho certeza que amanhã, não vou dizer que sairemos vitoriosos, porque para mim eu não queria estar aqui passando o que eu estou passando, mas a sociedade no todo vai estar sendo vitoriosa, mostrando que a justiça faz justiça.”

Célio também lamentou que o julgamento tenha sido transferido para Feira de Santana, mas ressaltou que, seja onde for, a sociedade não aceita mais violência contra a mulher.

Ele também revelou ao Acorda Cidade que criou Sashira desde os dois anos de idade. “Sashira teve dois pais na vida dela, dois pais presentes. Eu que a criei e o pai biológico dela. E eles sem estrutura nenhuma para vir para cá. Eu sei que a dor minha é grande e a dele é muito maior do que a minha. E por causa desse desaforamento, ele não vem. Minha esposa não tem condições de vir emocionalmente. Então assim, foi muito triste pra nós. Ela só não era minha filha de sangue, mas era minha filha de coração.”

Sashira CamillySashira Camilly
Foto: Reprodução Tv Sudoeste

Célio ainda deixou uma mensagem à sociedade sobre o enfrentamento ao feminicídio e a importância de fortalecer políticas públicas e órgãos de proteção.

“Que as mulheres se empoderem cada vez mais. Diga não a qualquer reação. Porque o feminicídio não é só a violência, feminicídio é na palavra, num certo puxar de cabelo. Que a mulher hoje tem se empoderado e que se empodere mais ainda para que não se torne mais uma estatística no feminicídio no Brasil. Que realmente os órgãos governamentais continuem a trabalhar em cima disso, continuem a divulgar sobre o feminicídio, continuem a dar mais condições às delegacias, às DEAMs de trabalhar em prol da mulher.”

“Qualquer sinal, não resistem em falar com seus pais, não resistem em denunciar e aprendem a dizer não, não à violência.”

Com informações do repórter Ed Santos do Acorda Cidade

Leia também: Caso Sashira Camilly: ex-namorado da vítima será julgado nesta terça (10) em Feira de Santana

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Fonte: Acorda Cidade

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