sábado, fevereiro 7, 2026
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Brasil vira ‘intruso’ e aquece sonho nos Jogos de Inverno

(UOL/FOLHAPRESS) – A delegação brasileira desembarca na Itália para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 com um status inédito: o de quem realmente briga por pódio. Em entrevista ao UOL, o presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Marco La Porta, detalhou a operação de ponta montada para dar suporte aos 14 atletas classificados -um recorde histórico para o país em edições de inverno.

A cerimônia de abertura, realizada nesta sexta-feira (6), deu a largada oficial a um ciclo em que o Brasil deixa de ser apenas um participante exótico para se tornar um competidor respeitado no evento que vai até 22 de fevereiro. As estruturas na Itália incluem a estreia da Casa Brasil em uma edição de inverno, numa estratégia para ampliar a marca do país no cenário do gelo e da neve.

“É uma expectativa muito grande. Sabendo que os Jogos Olímpicos são sempre uma competição à parte, há muitos fatores envolvidos, particularmente emocionais, mas estamos muito confiantes”, afirmou La Porta. O dirigente sabe que as principais chances de medalha se concentram nas provas de skeleton, esqui alpino e snowboard.

O ‘INTRUSO’ QUE INCOMODA

La Porta vê com bons olhos o rótulo de “intruso” tropical entre as potências do Hemisfério Norte, como Estados Unidos, Canadá e os países europeus. Segundo ele, a evolução brasileira é vista com simpatia e respeito pelos adversários. “Na verdade, eles não brincam, eles parabenizam e ficam muito felizes com a presença desse intruso. São poucos países tropicais -acho que hojeBrasil, Jamaica e México – que têm um pouquinho mais de frequência. E nunca um país tropical teve tanta oportunidade de ganhar uma medalha”, avaliou.

Essa mudança de patamar é impulsionada por nomes como Nicole Silveira, no skeleton, e Lucas Pinheiro Braathen, no esqui alpino. O presidente do COB destaca a consistência desses atletas como o motor que obriga a entidade a elevar o nível do suporte logístico. “Quando você vê o Lucas e a Nicole mostrando grandes resultados, isso provoca, cutuca o COB para que a entrega da operação seja ainda mais precisa”, disse.

DETALHES QUE VALEM OURO

Nos esportes de inverno, a margem de erro é mínima. No skeleton, por exemplo, uma curva mal traçada pode custar milésimos de segundo e, consequentemente, o pódio. La Porta adota um mantra para a gestão dessa pressão: a eficiência operacional não ganha a medalha sozinha, mas evita que ela seja perdida.

“Como a gente costuma falar sempre: a gente não trabalha para pegar a medalha, a gente trabalha para não perder a medalha. Então, atenção a cada um dos detalhes”, pontuou o dirigente. A regularidade de Lucas, que figurou no “top 5” nos últimos sete eventos, e a ascensão de Nicole nas provas que antecederam os Jogos sustentam o otimismo da entidade.

Além da performance, a presença institucional foi reforçada. A Casa Brasil funcionará como um hub de “calor humano” em meio ao frio europeu, servindo não apenas como ponto de encontro, mas como vitrine para patrocinadores e autoridades. “Trazer um pouquinho do calor para esse pessoal que é um pouquinho mais frio”, brincou La Porta, confirmando que a cúpula do COB permanecerá na Itália durante todo o evento para dar suporte integral à delegação.

Lucas tem 20 medalhas em etapas do esqui alpino da Copa do Mundo, sendo 8 pelo Brasil, país que representa desde 2024, depois de ter deixado de competir pela Noruega

Folhapress | 10:50 – 07/02/2026

Fonte: Noticias ao Minuto

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