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Relatos de quem sustenta o Carnaval de Salvador

Com a proximidade do Carnaval de Salvador, a rotina de quem sustenta a festa nas ruas volta ao centro do debate.

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Antes mesmo da abertura oficial dos circuitos, ambulantes já ocupam espaços estratégicos e enfrentam dias seguidos de permanência nas calçadas da Orla entre a Barra e Ondina, cicuito Dodô.

Tudo sobre Carnaval em primeira mão!

Avenida Oceânica | Foto: Jair Mendonça Jr. / Ag A TARDE

A insegurança e a ausência de estrutura básica inicial compõem um cenário que levanta questionamentos sobre dignidade e condições de trabalho.

A equipe de reportagem do Portal A TARDE esteve duas vezes no local nesta semana e conversou com ambulantes e moradores

Alguns trabalhadores relatam que, mesmo instalados previamente, ainda não encontram banheiros químicos abertos nem suporte mínimo para necessidades fisiológicas.

“Se as pessoas já estão se instalando, deveria ter pelo menos um banheiro funcionando. Não dá para estar tudo trancado. Isso é dignidade”, afirmou um ambulante ouvido pela reportagem.

Também há queixas sobre segurança. Vendedores dizem ter tido caixas arrombadas e isopores furtados, situação que obriga muitos a permanecerem nos pontos por longos períodos para evitar prejuízos financeiros.

Avenida Oceânica

Avenida Oceânica | Foto: Jair Mendonça Jr. / Ag A TARDE

Entre dificuldades e oportunidade de renda

Apesar dos desafios, o período carnavalesco representa a principal oportunidade financeira do ano para parte dos trabalhadores informais.

Alguns estimam um faturamento entre R$ 5 mil e R$ 7 mil apenas neste mês — valor decisivo para pagar dívidas, reformar a casa e sustentar a família.

Moradora da Barra, Maria Alice que disse ser a favor de melhorias para essa classe, recorda uma cena do Carnaval passado (2025): um ambulante trabalhando sob chuva com o filho no colo.

Para ela, a criação de creches com funcionamento 24 horas neste ano representa uma mudança importante.

“Fiquei feliz em saber disso. Agora está melhor. Vejo que eles tem camisa UV e protetor solar. É isso aí. Todos merecem trabalhar de forma digna. O sol brilha para todo mundo”, disse.

Os serviços de acolhimento infantil, alimentação e transporte são apontados por parte dos trabalhadores como avanços que tornam a rotina mais segura e menos vulnerável.

Ainda assim, a percepção sobre as condições não é unânime. Enquanto uns criticam a permanência prolongada nas ruas, outros focam na atividade como uma ferramenta essencial de geração de renda.

“Estamos aqui porque queremos”

Rose Pley de Jesus e Rita de Cássia, no Morro do Gato

Rose Pley de Jesus e Rita de Cássia, no Morro do Gato | Foto: Jair Mendonça Jr. / Ag A TARDE

Rita de Cássia, conhecida como “Negona de Boa”, e Rosiclei de Jesus afirmam que a presença antecipada nos circuitos está ligada à busca por sustento, e não a uma imposição externa.

“A gente está aqui porque quer. É uma oportunidade de ganhar nosso trocado honestamente, bater uma laje, fazer uma compra melhor para casa”, afirmou Rose.

Para ela, as melhorias recentes mudaram a realidade em comparação a anos anteriores. “Hoje temos transporte, lugar para tomar banho, carregar celular, onde almoçar e espaço para deixar os filhos. Antes não tínhamos nada disso.”

Rose também rebate a classificação de trabalho escravo: “Se fosse trabalho escravo, a gente não receberia nada. Ninguém toma o dinheiro das nossas mãos. Estamos aqui porque temos um objetivo”, declarou.

Negoda de Boa e a neta

Negoda de Boa e a neta | Foto: Jair Mendonça Jr. / Ag A TARDE

Tem direito

Para o Carnaval de 2026, os ambulantes credenciados contam com apoio logístico da Prefeitura e patrocinadores.

Kit Ambulante (Ambev):

  • Barreira em novo modelo com fechamento por cadeado;
  • Itens de proteção: 3 bonés, 3 camisetas UV e protetor solar;
  • Estrutura: 1 banco, 1 guarda-sol com precificador e 3 isopores (2 pequenos e 1 grande).

Serviços da Prefeitura (Semop):

  • Vale-transporte: cartão com 11 passagens (ida e volta) para o trabalhador e um acompanhante;
  • Alimentação: restaurantes populares exclusivos nos circuitos Campo Grande e Barra-Ondina;
  • Centros de Convivência: sete espaços com banho, descanso e pontos de recarga;
  • Salvador Acolhe: unidades de acolhimento 24h para filhos de ambulantes (0 a 17 anos).

Segundo a Semop, 4 mil ambulantes foram licenciados para os circuitos Dodô, Osmar e Batatinha. No total, incluindo bairros e baleiros, o número de cadastrados ultrapassa 8 mil trabalhadores.



Fonte: A Tarde

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