A chegada da alvorada é marcada por uma queima de fogos, seguida pela lavagem das escadarias do templo –
A Lavagem de Itapuã acontece nesta quinta-feira, 5, em Salvador, e volta a ocupar as ruas do bairro com fé, música e celebração popular. Com 121 anos de história, que serão completados em 2026, a festa reúne cerca de 40 atrações, entre blocos e fanfarras, que começam a desfilar a partir das 2h, mantendo viva uma tradição que, para muitos foliões antigos, passou por transformações ao longo do tempo.
A programação tem início nas primeiras horas da madrugada com o Bando Anunciador, que percorre as ruas do bairro entoando louvores até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.
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A chegada da alvorada é marcada por uma queima de fogos, seguida pela lavagem das escadarias do templo, realizada pelas baianas, um dos rituais mais simbólicos da celebração.
Entre os frequentadores que acompanham a lavagem há anos, as mudanças são percebidas de formas diferentes. Valquíria Moraes, que participa da festa há cerca de uma década, faz uma avaliação ponderada. “Eu acompanho a lavagem há cerca de 10 anos. Em comparação com outras edições, acho que está mais ou menos. Algumas coisas melhoraram, outras nem tanto.”
Valquíria Moraes participa da festa há cerca de uma década
Segundo ela, a principal diferença está no formato do cortejo. “Antes, a lavagem era mais tradicional, com as baianas e as carroças. Hoje em dia, tem trio elétrico, algo que não existia antigamente. Isso não chega a atrapalhar o cortejo, mas acaba deixando tudo um pouco mais tumultuado.”
Apesar disso, Valquíria vê o processo como parte da evolução da festa. “É uma evolução. Só tende a melhorar, não prejudica em nada. Está muito bom, porque todo mundo gosta de curtir. Cada um aproveita do seu jeito, cada um curte um pouquinho.”
Para Cleusa Dias Mendes, que acompanha a Lavagem de Itapuã há muitos anos, a sensação é de avanço em relação ao passado recente. “Eu acompanho há muito tempo e estou achando melhor em comparação com outros anos. Tem mais espaço, está melhor organizado do que antes.”

Cleusa Dias Mendes afirma que a sensação é de avanço
Ela também destaca a principal diferença em relação às edições mais antigas. “Antigamente era só o cortejo, hoje tem os trios. Essa é a principal diferença. A festa, no geral, é maravilhosa. A Bahia é bela.”
Já Paulo Cezar, que conhece a lavagem há mais de duas décadas, reforça o caráter simbólico e pacífico da celebração. “Eu conheço a lavagem daqui há mais de 20 anos. É uma lavagem boa, maravilhosa. É uma festa de paz, uma festa de amor.”
Ele também relata a rotina do início da festa. “A gente sai cedo. Eu cheguei na Igreja da Conceição da Praia por volta das seis horas da manhã e seguimos de lá até aqui. Está tudo tranquilo, tudo de boa.”
Em 2026, a festa homenageia duas personalidades ligadas à cultura e à religiosidade afro-baiana: a Ekedi Teresa Alves de Souza, do terreiro Ilê Axé Oyá Demim, de Lauro de Freitas, e o músico, pescador e fundador do Afoxé Korin Nagô, Ulisses dos Santos, de 84 anos.
A programação da Lavagem de Itapuã segue até a segunda-feira, 9. Na sexta-feira, 6, e no sábado, 7, os shows acontecem às 20h, e no domingo, 8, às 18h, no palco montado na Rua do Tamarineiro. O encerramento será dedicado ao ritual de entrega dos presentes a Iemanjá, reforçando a dimensão religiosa e ancestral de uma festa que, entre tradição e mudanças, segue mobilizando gerações.
Fonte: A Tarde



