quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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Desabamento da Igreja de Ouro completa um ano; veja como está situação

Um ano após o desabamento de parte do teto da Igreja e Convento de São Francisco de Assis, no Centro Histórico de Salvador, o episódio que chocou o Brasil segue marcado por questionamentos sobre a preservação do patrimônio histórico. Conhecido como “Igreja de Ouro”, o templo permanece fechado ao público enquanto seguem as obras emergenciais e são anunciados os primeiros passos para o restauro da igreja considerada uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no mundo.

A tragédia, ocorrida em 5 de fevereiro de 2025, resultou na morte da turista Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, e deixou outras cinco pessoas feridas, interrompendo de forma abrupta um momento de contemplação em um dos templos mais emblemáticos do país e reacendendo o debate sobre segurança, conservação e responsabilidade com bens culturais.

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Iphan anuncia recursos do Novo PAC para restauro

Na quarta-feira, 4, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), anunciou a garantia de recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) para dar início ao processo de restauro da igreja. A estimativa de investimento para a primeira fase dos trabalhos é de aproximadamente R$ 20 milhões.

Segundo o Iphan, os recursos iniciais serão destinados à elaboração de projetos técnicos e à execução de obras na nave central da igreja e no claustro do convento. O templo passa por intervenções emergenciais desde março de 2025, e a nova previsão é de que essa etapa seja concluída até março deste ano.

Teto desabou em Igreja do Pelourinho | Foto: Uendel Galter/ Ag A Tarde.

Obras emergenciais

De acordo com o Iphan, o anúncio ocorre na reta final das obras emergenciais. Inicialmente previstas para serem concluídas em outubro de 2025, as intervenções tiveram o prazo ampliado após a identificação da necessidade de serviços adicionais ao longo da execução.

Segundo o Iphan, foi investido R$ 2,4 milhões nessas intervenções. O superintendente instituto na Bahia, Hermano Guanais, destacou a complexidade do serviço realizado na Igreja.

Imagem ilustrativa da imagem Desabamento da Igreja de Ouro completa um ano; veja como está situação

| Foto: Iphan

“As intervenções realizadas na Igreja de São Francisco exigiram altíssimo grau de especialização técnica, justamente por se tratar de um bem tricentenário, com estrutura complexa e rica integração artística”, explica o superintendente.

“O que se conclui agora é uma etapa emergencial fundamental, voltada à estabilização e à segurança do monumento. A partir dela, inicia-se um processo mais amplo, que envolve estudos, diagnósticos aprofundados e projetos, condição indispensável para um restauro responsável. Preservar o patrimônio é, antes de tudo, respeitar o tempo técnico que ele exige”, completou.

O que foi feito até agora

Segundo o instituto, as equipes supervisionaram um conjunto de ações técnicas que incluiu a remoção e a catalogação dos fragmentos do forro que caíram sobre a nave, o diagnóstico das condições do teto e da cobertura, o escoramento de elementos instáveis e o reforço da fixação das estruturas remanescentes.

Também foram realizadas a higienização, o tratamento e o acondicionamento dos elementos artísticos integrados que se desprenderam, com o objetivo de viabilizar a posterior reinserção ao conjunto arquitetônico.

Além disso, a cobertura passou por revisão completa, com a substituição de cerca de 90% das telhas cerâmicas e de parte do madeiramento leve de sustentação, seguida da imunização de todas as peças.

Relembre a tragédia

O desabamento de parte do teto ocorreu na tarde de 5 de fevereiro de 2025, enquanto turistas visitavam o espaço localizado no Largo do Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho. Na ocasião, a jovem Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, morreu, e outras cinco pessoas ficaram feridas.

Giulia Panchoni Righetto

Giulia Panchoni Righetto | Foto: Reprodução / Redes Sociais

Natural de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Giulia visitava a igreja acompanhada do namorado e de um casal de amigos. Ela estava sentada e observava o teto do templo no momento em que a estrutura cedeu.

Problemas estruturais

A Igreja de São Francisco enfrentava problemas estruturais há anos. Dois dias antes do acidente, o frei Pedro Júnior Freitas da Silva, guardião-diretor da igreja, havia comunicado ao Iphan a existência de uma “dilatação” no forro do teto e solicitado uma vistoria técnica. A visita estava agendada para o dia 6 de fevereiro, um dia após o desabamento.

Teto da  igreja da Ordem 1ª de São Francisco de Assis desabou nesta quarta-feira, 5

Teto da igreja da Ordem 1ª de São Francisco de Assis desabou nesta quarta-feira, 5 | Foto: Uendel Galter/ Ag A Tarde.

À época, o presidente do Iphan, Leandro Grass, afirmou que a solicitação foi feita por meio de um protocolo padrão, que não seria o procedimento indicado para situações de urgência.

Já o então diretor da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Sósthenes Macedo, declarou que o poder público tinha conhecimento de pontos comprometidos na estrutura, mas que, até então, não havia indicação de risco iminente de desabamento, motivo pelo qual o espaço não estava interditado.



Fonte: A Tarde

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