quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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Como a Ponte Salvador-Itaparica beneficiará diretamente bairros da Cidade Baixa

Com sua obra de construção prevista para iniciar em junho deste ano, a Ponte Salvador-Itaparica beneficiará diretamente a Cidade Baixa, através de seus acessos viários e túneis, bem como impulsionará o desenvolvimento de toda a Região Metropolitana e Baixo Sul da Bahia, integrando logística, turismo e economia.

Porta de entrada portuária de Salvador, o Comércio está entre os bairros da região que tendem a se recuperar economicamente, de acordo com o governo estadual. O sistema promoverá a integração entre a capital baiana e o interior, por meio da ligação com as rodovias BR-101, BR-116 e BR-242. O investimento estimado é de, aproximadamente, R$ 12 bilhões, entre recursos privados e contrapartida do Estado.

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“Como teremos uma expansão urbana próxima novamente à região do Comércio, a tendência é que o bairro volte a se fortalecer e tenhamos impactos no desenvolvimento do turismo, da habitação e dos serviços, entre outros setores. E não só para o Comércio, mas para toda essa região central, estendendo até a Avenida Sete de Setembro, Baixa dos Sapateiros e Península de Itapagipe, que devem ter um fortalecimento dessas funções que ficaram reduzidas ao longo do tempo com o crescimento que se deu em direção a outros eixos”, avalia o secretário da Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica (SVPonte), Mateus Dias.

O titular da SVPonte destaca que a Ponte Salvador-Itaparica tem, hoje, a dimensão de principal projeto estruturante do ponto de vista de acessibilidade logística para a Região Metropolitana de Salvador (RMS).

“Salvador tem, praticamente, apenas uma grande artéria logística, que é a BR-324 e que já está saturada. A ponte será uma válvula de escape para a cidade, sobretudo para a logística. Vai ser, também, um novo eixo de expansão urbana para a RMS, porque nossa geografia é uma península, o que basicamente obriga o avanço do crescimento urbano em um só sentido. Teremos, ainda, a redução do tempo de viagem do interior para a capital, facilitando o fornecimento de serviços especializados que acabam centralizados em Salvador”.

A Ponte Salvador-Itaparica impulsionará, também, o desenvolvimento econômico e social em áreas do Estado que hoje “estão um pouco à margem da dinâmica de desenvolvimento econômico da RMS”, como considera o gestor da SVPontes.

“O impacto será grande para regiões como Recôncavo, Baixo Sul e Chapada Diamantina, além da região cacaueira, e em muitos setores, como turismo, construção civil, imobiliário, logística, serviços, indústria. E ainda há o impacto do próprio investimento da obra, que cria uma dinâmica econômica muito forte na área”, destaca.

O diretor-presidente da Autoridade Portuária Federal – Codeba, Antonio Gobbo, enfatiza que a Ponte Salvador-Itaparica irá facilitar o fluxo entre a capital e o Recôncavo Baiano, com a expectativa de impulsionar setores como os de serviços, varejo e imobiliário corporativo.

“Levando em conta os mais de quatro milhões de pessoas diretamente impactadas pelo empreendimento e cerca de 5,4 milhões de habitantes nos 200 municípios na área de influência do novo sistema viário projetado, considero o projeto como um empreendimento emblemático, que muda totalmente, e para melhor, o desenho estruturante da logística baiana”.

O equipamento será dividido em cinco trechos, incluindo os acessos viários em Salvador; a estrutura principal da ponte de 12,4 km; a chegada à Ilha de Itaparica; o desvio de Mar Grande; e a recuperação e duplicação de parte da BA-001, entre Cacha Pregos e a cabeceira da Ponte do Funil.

O projeto de implantação do Sistema Rodoviário Ponte Salvador-Itaparica, que foi delegado à iniciativa privada através de contrato de Parceria Público-Privada (PPP), na modalidade de concessão patrocinada, representa um novo vetor de distribuição de renda e de desenvolvimento econômico de diversas regiões, a partir da atração de novos empreendimentos nos setores de logística, indústria, comércio, serviços, mercado imobiliário e turismo, conforme o Governo do Estado.

Fase inicial

O projeto da Ponte Salvador-Itaparica está na primeira fase, que é a de obtenção dos licenciamentos, como a licença ambiental; o alvará de construção; e as autorizações da Marinha, da Secretaria de Patrimônio da União e de outros órgãos.

“Esta fase já está avançada e o cronograma está de acordo com o que foi definido no aditivo assinado em junho do ano passado, intermediado pelo Tribunal de Contas do Estado. Devemos iniciar as obras na metade de 2026, com previsão de cinco anos”, afirma o secretário da SVPonte.

Além de supervisionar diretamente a obra de engenharia, a SVPonte exerce funções de planejamento e articulação institucional entre os diversos órgãos do Estado que têm ações transversais ao projeto da ponte.

“A gente faz uma coordenação de planejamento integrado para que essas ações, como saneamento, desenvolvimento urbano, solução para resíduos sólidos e até mesmo educação, saúde e segurança pública, estejam de acordo com o projeto de desenvolvimento que é ancorado no Sistema Viário. Nesses casos, não nos cabe supervisionar essas ações, mas realizar o planejamento e articulação com esses órgãos”, explica.

Além de ser a porta de entrada portuária de Salvador, o Bairro do Comércio se prepara para ser o grande beneficiário da Ponte Salvador-Itaparica. De acordo com Mateus Dias, há uma tendência de recuperação dessas funções que são características do centro da cidade.

“Como teremos uma expansão urbana próxima novamente a essa região, a tendência é que o Comércio volte a se fortalecer e tenhamos impactos no desenvolvimento do turismo, da habitação e dos serviços, entre outros setores. E não só para o Comércio, mas para toda essa região central, estendendo até a Avenida Sete de Setembro, Baixa dos Sapateiros e Península de Itapagipe, que devem ter um fortalecimento dessas funções que ficaram reduzidas ao longo do tempo com o crescimento que se deu em direção a outros eixos”.

Ponte Salvador-Itaparica será a maior da América Latina sob lâmina d’água

Com 12,4 km de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, a Ponte Salvador-Itaparica será a maior da América Latina sob lâmina d’água. A expectativa é que os mastros principais da estrutura alcancem 218 metros de altura, superando monumentos turísticos como o Elevador Lacerda (72 m), Farol da Barra (62 m) e Cristo Redentor (38 m, podendo vir a se tornar um novo cartão-postal da Bahia. A ponte vai se conectar da região do Terminal Marítimo São Joaquim (Ferry-Boat) à Gameleira, no município de Vera Cruz, que deverá receber uma nova rodovia. O projeto conta, também, com a duplicação de trechos da BA-001.

O prazo final de entrega, de acordo com a previsão do governo estadual, é junho de 2031.

A construção da Ponte Salvador-Itaparica prevê uma série de intervenções com impactos positivos para a economia e a infraestrutura baianas, conforme relatou o secretário-chefe da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence, durante a apresentação do projeto na Assembleia Legislativa da Bahia, há quatro meses. Em Salvador, também serão implantados túneis e viadutos que permitirão a conexão da ponte com a Via Expressa, além das avenidas Jiquitaia e Engenheiro Oscar Pontes.

O projeto é resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o Governo da Bahia e um consórcio chinês formado por dois grandes grupos que estão entre os maiores do mundo no segmento de construção e infraestrutura: China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC). A construção terá duração de cinco anos a partir da montagem do canteiro de obras, prevista para este ano.

Etapas da obra da Ponte Salvador-Itaparica

  • Trecho 1 – Acessos viários em Salvador: construção de estruturas ligando os bairros da Calçada e Água de Meninos, incluindo viadutos e dois túneis paralelos aos já existentes na Via Expressa;
  • Trecho 2 – Ponte Salvador–Itaparica: 12,4 km de extensão, divididos em três etapas. São eles: aproximação na Ilha de Itaparica (4,6 km), aproximação em Salvador (6,9 km) e o trecho estaiado (0,9 km), que ficará a 85 metros acima do nível do mar:
  • Trecho 3 – Acessos viários em Itaparica: cerca de 30 km de rodovias, conectando a chegada da ponte até a Ponte do Funil, com viadutos e interseções:
  • Trecho 4 – BA-001: recuperação e duplicação da rodovia, entre Cacha Prego e a cabeceira da Ponte do Funil.



Fonte: A Tarde

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