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eleição ficou marcada por renúncias e disputa em 2º turno

Desde a redemocratização, a disputa pelo governo da Bahia foi decidida quase sempre no primeiro turno. As exceções foram em 1994 e 2022. A primeira eleição citada ficou marcada por um processo de início conturbado, com renúncias, mandatos tampões e até suspeita de fraude nas urnas.

A eleição foi protagonizada por Paulo Souto, candidato do PFL, e João Durval, do PMN. Ex-vice-governaddor e representante do ‘Carlismo’, Souto saiu vitorioso.

Renúncias e mandatos tampões

Eleito em 1990, o então governador Antônio Carlos Magalhães (PFL) resolveu concorrer a uma das duas vagas ao Senado, visto que a legislação não previa reeleição para mandatos executivos.

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Seu vice, Paulo Souto (PFL), foi o ‘ungido’ para concorrer à sucessão estadual. Para isso, ele também precisou renunciar, evitando que ocupasse a cadeira, ainda que interinamente. Com a vacância dupla, assumiu Ruy Trindade, então presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

O mandato ‘tampão’ de Trindade durou 30 dias, terminando em 2 de maio de 1994. No mesmo período, foram convocadas eleições indiretas na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

O candidato governista foi Antônio Imbassahy, também do PFL, até então presidente da Alba, tendo como vice Rosalvo Barbosa Romeu, enfrentando o também parlamentar Calmito Fernandes (PMDB). O deputado, vencedor da eleição com 37 votos, assumiu o executivo estadual em 3 de maio, encerrando o mandato em dezembro.

Capa de A TARDE destacando vitória ‘tampão’ de Imbassahy | Foto: Arquivo CEDOC A TARDE

“É uma grande honra assumir o cargo de governador, substituindo Antônio Carlos Magalhães, principalmente pela grande obra que ele realizou nesses últimos três anos”, destacou Imbassahy ao tomar posse, em maio de 94.

Candidatos ao governo e campanha

A disputa foi protagonizada por Paulo Souto, ex-vice-governador, João Durval, que havia governado o estado na década de 1980, e tinha deixado recentemente a prefeitura de Feira de Santana, Jutahy Magalhães, deputado federal e ex-ministro, e Nilo Coelho (PMDB), também ex-governador.

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Como é de tradição, o desfile do 2 de Julho foi o principal termômetro político do ano eleitoral. Os principais nomes estiveram nas ruas de Salvador com seus blocos formados por aliados e apoiadores.

Candidato do PSDB ao governo, Jutahy Magalhães não seguiu as orientações do partido a nível nacional, ignorando a candidatura de Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto, caminhando ao do petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A aliança contava ainda com o apoio da prefeita de Salvador, Lídice da Mata, também do PSDB na ocasião. A coligação ‘Frente Bahia Popular’, encabeçada por PSDB e PT, que tinha Sergio Gaudenzi (PSDB) como vice, contava ainda com PSB, PPS, PCdoB e PV.

Jutahy durante o desfile do 2 de Julho ao lado de Lula

Jutahy durante o desfile do 2 de Julho ao lado de Lula | Foto: Arquivo CEDOC | A TARDE

“Essa é uma aliança prejudicial ao país. Os programas são incompatíveis. O liberalismo e a social democracia são incompatíveis em qualquer parte do mundo. É um desrespeito ao eleitor dos dois partidos, que deveria ter o direito de votar nos programas dos partidos”, afirmou Jutahy ao defender a aliança do PSDB baiano com Lula.

Candidato do grupo carlista, Paulo Souto teve Cesar Borges, seu companheiro de PFL, como vice na coligação ‘Vontade do Povo’, com PPR, PTB, PP, PL e PSC. O postulante teve o apoio de Antônio Carlos Magalhães, líder do seu grupo e candidato ao Senado, e apoiou a candidatura presidencial de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Nilo Coelho (PMDB), que havia sido governador tampão do estado entre 1989 e 1990, tentava voltar ao Palácio de Ondina, tendo Sebastião Castro (PMDB) como vice.

Já João Durval (PMN), também ex-governador e ex-prefeito de Feira de Santana, formou a coligação ‘Experiência, Democracia e Progresso’, tendo Germano Tabacoff (PDT), ex-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), como vice na chapa.

Resultado do 1º Turno:

  • Paulo Souto (PFL) – 1.617.127 votos (49,30%)
  • João Durval (PMN) – 829.646 votos (25,29%)
  • Jutahy Magalhães (PSDB) – 463.331 votos
  • Nilo Coelho (PMDB) – 271.404 votos
  • Álvaro Martins (PRN) – 98.504 votos

Eleições para o Senado

Com duas das três vagas ao Senado em jogo, o agora ex-governador Antônio Carlos Magalhães se articulou para subir para a Casa Alta. Junto com ele, Waldeck Ornelas, também do PFL, foi candidato a senador.

Na coligação que tinha Jutahy candidato ao governo, Zezéu Ribeiro, do PT, e o ex-governador Waldir Pires, agora filiado ao PSDB, foram os candidatos ao Senado.

O PDT, da chapa encabeçada por João Durval, lançou as candidaturas de Joviniano Neto e Ivan Carvalho, que não haviam ocupado cargos políticos até então, para o Senado.

Nilo Coelho teve Marcelo Duarte (MDB), ex-vice-prefeito de Salvador, com seu único candidato a senador na chapa, que não teve apoio de outros partidos.

Acusações de fraude

Terceiro colocado na corrida, Waldir Pires acusou o grupo governista de fraudar o resultado das urnas, que não eram eletrônicas, pedindo a recontagem dos votos. O argumento usado pelo político foi de que Waldeck não teria condições de ter mais votos que seu aliado, ACM.

Imagem ilustrativa da imagem 1994: eleição ficou marcada por renúncias e disputa em 2º turno

| Foto: Arquivo CEDOC | A TARDE

“Não há hipótese do senhor Waldeck Ornelas ter mais votos que seu chefe”, disparou Waldir ao contestar o resultado.

Resultado para o Senado na Bahia

  • Antônio Carlos Magalhães (PFL) – 1.617.127 votos (32.74%)
  • Waldeck Ornelas (PFL) – 1.291.382 votos (21.95%)
  • Waldir Pires (PSDB) – 1.288.316 votos
  • Zezéu Ribeiro (PT) – 692.321 votos
  • Marcelo Duarte (PMDB) – 354.189 votos
  • Joviniano Neto (PDT) – 171.429 votos
  • Ivan Carvalho (PDT) – 160.185 votos

Segundo turno e resultado

Paulo Souto e João Durval foram para o segundo turno, o primeiro na Bahia desde a redemocratização. A disputa ficou marcada por trocas de farpas e acusações. Durval, que recebeu apoio formal dos demais opositores de Antônio Carlos Magalhães, afirmou ter sido alvo de perseguição.

Capa de A TARDE em 15 de novembro de 1994

Capa de A TARDE em 15 de novembro de 1994 | Foto: Arquivo CEDOC | A TARDE

“Vou continuar fazendo minha campanha em nível elevado. Tenho, inclusive, recebido apelos da população para manter a mesma orientação no programa eleitoral, afirmou o candidato do PMN na época.

ACM rebateu as acusações de Durval e afirmou que o adversário, que já havia sido seu aliado.

“Ele teve todas as outras emissoras, gastou com publicidade na Prefeitura de Feira de Santana com contratos que ele não pode nem explicar como é que está fazendo a campanha”, disparou ACM em entrevista à Folha de S. Paulo na ocasião.

No dia 15 de novembro de 1994, os eleitores baianos voltaram às urnas para a escolha do governador da Bahia. Confirmando o cenário do primeiro turno, em que quase foi eleito, Paulo Souto saiu vitorioso.

Paulo Souto recebeu 2.235.659 votos, chegando a 58.64%. João Durval conseguiu passar da casa dos milhões, recebendo 1.577.043 votos, que não foram suficientes para sua vitória.



Fonte: A Tarde

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