quinta-feira, fevereiro 5, 2026
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Privilégios nefastos

Os reajustes e privilégios aprovados para os servidores do Poder Legislativo representam o que se pode esperar do atual perfil da Câmara dos Deputados. A primeira ousadia é a obscenidade dos números, em mais uma prova da importância de renovação das cadeiras nas próximas eleições de outubro.

O reajuste pode chegar a estratosféricos 76% contra mirrados 5% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo dos últimos 12 meses, o que significa uma hiperbólica goleada sobre a inflação. A remuneração bruta pode ultrapassar o teto constitucional de R$ 46.366,19, revelando todo o desdém com a Carta Magna.

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O método da aprovação instantânea, a toque de caixa, ficando na mesma posição os parlamentares favoráveis, indica o desprezo pelo mínimo debate. Também guarda coerência com o jeito de ser (ethos) escorregadio do Parlamento o acréscimo dos chamados penduricalhos – aquelas rubricas adicionais capazes de gerar a obesidade do holerite.

A combinação prévia do resultado oneroso segue o modus operandi de sigilo na destinação de emendas do orçamento secreto. Tanto o mimo aos servidores, expostos às famigeradas rachadinhas, quanto as jogadas extra-campo das emendas são originários de acordos nas sombras e nas caladas, em ambientes imunes à luz.

Também as folgas e licenças compensatórias soam como escracho, recuperando privilégios compatíveis ao tempo da corte de D. João. Enquanto se busca derrotar o regime de seis dias no serviço por um de folga, a fim de melhorar a vida do trabalhador, os servidores terão um dia livre a cada três de labor.

O assunto mobilizou funcionários públicos de outros setores e trabalhadores descontentes com tamanha generosidade paga pelos contribuintes. Resta acompanhar se o presidente Lula vai aprovar com vetos ou devolver o gracioso pacote, depois de passar pelo Senado. É o caso de reativar o dilema de Stanislaw Ponte Preta: ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos.



Fonte: A Tarde

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