quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Brasil rumo ao Narcoestado? A infiltração do crime na política e na economia

Com movimentações bilionárias e conexões políticas, facções mostram uma estratégia de longo prazo –

Estamos vivendo um Narcoestado? Essa é uma pergunta complexa, mas que podemos abordar de uma forma não convencional, fugindo do simples “sim” ou “não”. Olhando para o cenário de forma ampla, o crime organizado vem tentando, de maneira quase simbiótica, infiltrar-se em diversos setores da sociedade, sejam eles legítimos ou não. Essa estratégia, relativamente “nova”, vem sendo conduzida com planejamento, principalmente pelas duas maiores facções do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

O setor logístico é um exemplo evidente. Rotas de drogas conectam países da América do Sul, Colômbia, Bolívia, Venezuela e Peru, aos principais centros urbanos do Brasil.

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O setor financeiro também não ficou de fora. Um dos casos mais emblemáticos foi a operação “Carbono Oculto”, considerada uma das maiores da história do Brasil, que teve como um dos alvos o coração financeiro da maior metrópole do país, a Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde o PCC movimentava bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro.

E a política? Este é o principal ponto que nos leva a falar em narcoestado. O termo vem sendo cada vez mais citado em redes sociais, por comentaristas e autoridades, e se refere a uma situação em que a administração pública passa a ser dominada por facções criminosas, dedicadas primordialmente ao tráfico de drogas, com complexidade estrutural e financeira que os governos não conseguem ou não sabem lidar.

Um narcoestado é um país em que instituições políticas, econômicas e judiciais estão profundamente influenciadas, corrompidas ou controladas pelo tráfico. Líderes governamentais podem atuar simultaneamente como agentes do Estado e membros de redes criminosas, usando o aparato estatal para proteger e facilitar negócios ilícitos. Um exemplo clássico é a Colômbia, onde o crime organizado impactou diretamente a política do Estado.

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Recentemente, vários casos têm mostrado que essa influência não é mera teoria:

  • O ex-vereador Cristiano Santos Hermógenes, que assumiu o diretório do PSDB em Belford Roxo (RJ), foi destituído após vir à tona seu parentesco com Marcinho VP, líder do Comando Vermelho.
  • O deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) foi afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro após ser preso na Operação “Unha e Carne” por supostamente vazar informações sobre investigações ligadas a armas vendidas para o CV.
  • Na Bahia, o vereador Ailton Leal (PT), de Santo Estêvão, foi preso por ligação com o Bonde do Maluco (BDM), facção associada ao PCC, e seu posto de combustíveis era usado como instrumento de lavagem de dinheiro, movimentando mais de R$ 4,3 bilhões em operações ilícitas.

Esses casos mostram que, de forma indireta, setores policiais, econômicos e políticos têm sido penetrados de maneira simbiótica, ou até parasitária, pelo crime organizado, com o objetivo de minar, controlar e facilitar suas atividades, que nem sempre são ilegais à primeira vista.

Negócios legítimos, motéis, hotéis, transporte público, postos de gasolina, também já são explorados como parte das estruturas do crime. Além disso, essas facções oferecem serviços que o Estado muitas vezes deixa de garantir: segurança local, pequenas assistências financeiras e controle de bairros, criando um “poder paralelo” social. Essa atuação ajuda a validar sua presença e garante lealdade da população, fechando o ciclo de influência e controle.

Então, voltamos à pergunta inicial: estamos vivendo um narcoestado? Talvez ainda não completamente. Mas se nada for feito, o Brasil caminha a passos largos nessa direção. Até quando o Estado conseguirá reagir antes de ser totalmente absorvido pelo crime organizado?



Fonte: A Tarde

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