Mãe Nicinha de Nanã –
A fé, a ancestralidade e o respeito às tradições de matriz africana marcaram mais uma celebração em homenagem a Iemanjá em Salvador. Entre os milhares de devotos que participaram do cortejo nas primeiras horas da manhã, Mãe Nicinha de Nanã, do terreiro Olufanjá, no bairro de Tancredo Neves, destacou a força espiritual que a move há décadas.
Aos 78 anos, ela afirma que a presença no evento é resultado direto da fé. “Iemanjá me deu a força, a coragem e a condição de estar aqui hoje. Porque ela é a mãe de todos. Quem tem fé, quem acredita, enxerga o bem que ela faz”, declarou.
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Segundo Mãe Nicinha, para os povos de matriz africana, Iemanjá representa cuidado, sustento e proteção. “Ela é a mãe que traz o alimento, que dá a condição aos pescadores de irem ao mar bravio, um lugar cheio de segredos, e voltarem ilesos com o peixe, seja para manter a família ou para vender e garantir a sobrevivência”, afirmou.
Ela contou que chegou ao local da celebração por volta das 4h30 da manhã. “É o poder da fé. A resistência que ela nos dá. Para vir aqui, a gente precisa ter uma organização muito grande com os orixás em casa, para que tudo saia direitinho”, explicou.
Mãe Nicinha de Nanã
Também presente no cortejo, Gustavo Meneses, do terreiro Ylê Axé Ogum Ominkayê, em Cajazeiras, ressaltou o significado simbólico da celebração. “Iemanjá é mãe de todos os orixás, mãe das águas salgadas. Os peixes representam os filhos. Todos nós somos filhos de Iemanjá”, disse.
Para ele, o evento vai além da religiosidade. “Esse cortejo é uma celebração de paz e prosperidade. Mantém a fé e também o respeito pela nossa matriz africana. Pessoas de fora do país vêm conhecer, pessoas da cidade também, e isso ajuda a quebrar o preconceito e a intolerância religiosa”, destacou.

Gustavo Meneses
Meneses reforçou que o encontro promove união. “Isso traz harmonia. É isso que os orixás querem e é isso que a gente quer: a união do povo, independentemente da religião. Axé é prosperidade, axé é amor”, concluiu.
Outro destaque da celebração foi a presença do bailarino, professor e coreógrafo baiano José Carlos Arandiba, conhecido como Zebrinha. Vestido de branco, ele falou sobre o significado da data e da relação com os orixás. “Não somente Iemanjá, mas todos os orixás e meus ancestrais me deram tudo”, afirmou.

Zebrinha
Para ele, o evento também é um espaço de aprendizado e convivência. “Aqui deveria ser uma festa ecumênica. Todos os santos estão aqui. É um espaço para aprender e para acabar com a intolerância religiosa e o racismo religioso”, disse.
Fonte: A Tarde



