Esta semana o grupo de k-pop NewJeans anunciou a saída da integrante Danielle, após quase um ano de batalha judicial contra a empresa Ador, que gerencia o grupo. Essa não é a primeira polêmica que envolve o quinteto coreano.
Para ajudar, resumimos, a seguir, a conturbada história do NewJeans e os principais eventos que marcaram a mídia:
Como começou o NewJeans?
Comandado pela Ador, empresa subsidiária da Hybe Labels, NewJeans estreou em 2022, com um ar jovem e animado das integrantes. Minji, Hanni, Haerin, Hyein e Danielle lançaram o hit “Attention” em junho e, em seguida, lançaram o EP “NewJeans” em outubro com a faixa “Cookie”.
Desde o início, o grupo chamou a atenção dos fãs pelas danças e músicas contagiantes, que combinavam com o espírito jovem das integrantes que acabavam de se tornar maiores de idade e pareciam estar desfrutando a vida. Com esse ritmo, fizeram parcerias com grandes marcas como Nike e até ganharam personagens inspiradas nas “Meninas Superpoderosas”.
As cinco integrantes lançaram mais dois EPs: “Get Up” com o sucesso “Super Shy” de 2023 e “Supernatural” de junho de 2024.
Em 11 de setembro de 2024, o caminho do grupo tomou outro rumo quando, em uma live surpresa em um canal secundário no YouTube, expuseram descontentamentos relacionados a Hybe e a Ador, empresas gerenciadoras do grupo.
Exposição das empresas
O início da decepção das artistas começou com a demissão da CEO da Ador, Min Hee Jin, responsável pela montagem e estreia do grupo no mercado musical coreano.
Elas esclareceram que gostariam de se pronunciar por conta própria sobre o ocorrido e criaram a nova conta na plataforma para se posicionarem acerca de outros pontos que as incomodavam em relação a gestão, ressaltando que a ex-CEO não teria relação com a atitude das integrantes.
Danielle disse, durante a live, que se sentia receosa com a nova gestão da Ador e pela instabilidade do conjunto trabalhar com os mesmos profissionais da chefia anterior.
A cantora ainda disse: “Sinto que não seremos capazes de realizar as coisas que planejamos com a CEO Min, nem seremos capazes de realizar nossos sonhos. Tudo o que fizemos foi trabalhar duro por nossos sonhos. O que fizemos de errado? Em apenas uma semana após a remoção da CEO Min, nos tornamos incapazes de trabalhar com o diretor com quem sempre trabalhamos, e estou muito preocupada que não seremos capazes de trabalhar com a equipe que esteve conosco. Eles precisam parar de simplesmente dizer que priorizam os artistas e que estão fazendo o melhor por nós, e apenas nos deixar em paz para que possamos confiar neles, aproveitar as coisas e fazer a música que gostamos. Olhando as coisas humanamente, espero que parem de torturar a CEO Min. Só consigo ver a Hybe como uma empresa desumana. O que podemos aprender ao ver como eles agem?”
Minji, a mais velha do quinteto, foi quem pediu a reintegração de Min Hee Jin na empresa: “O que queremos é que Min Hee Jin permaneça como CEO, a Ador original onde a gestão e a produção eram combinadas. Esta é a maneira como poderemos parar de brigar com a Hybe. Se você entendeu nossas opiniões claramente, então pedimos que a Hybe e o Chairman Bang (dono da empresa) tomem a sábia decisão de retornar a Ador a como era originalmente até o dia 25.”
Após o ocorrido, a live foi prontamente apagada e o grupo não falou sobre o assunto publicamente.
O processo judicial
Em novembro, o NewJeans foi a publico, por meio de uma coletiva de impressa, anunciar a rescisão dos contratos com a empresa, alegando manipulação, maus-tratos, comunicações deliberadamente equivocadas e assédio em local de trabalho.
Com isso, a Ador prontamente negou as acusações e disse que o grupo permanecia sob contrato. A gravadora entrou com um processo contra o quinteto e solicitou uma liminar judicial para impedir que assinassem outros contratos, o que levou as integrantes a um hiato.
O posicionamento da empresa fez com que as integrantes se unissem e criassem uma nova conta no Instagram, pedindo para que os fãs sugerissem um novo nome para o quinteto, que se batizou de NJZ.
Em entrevista à CNN, Hanni afirmou que a mudança do nome fou uma forma de “transformar este período difícil em algo mais empolgante”.
A decisão
Quase um ano após o início do processo e ainda sem atividades, a Justiça sul-coreana teve uma decisão desfavorável em relação ao grupo. Durante esse tempo, Hanni chegou a presenciar audiências no Parlamento em defesa das colegas.
Assim, a Justiça considerou os contratos das integrantes como válidos e decidiu pela não aceitação das alegações do quinteto sobre a denúncia de assédio moral em local de trabalho, contra um gerente da empresa que teria feito comentários ofensivos a uma das integrantes, Hanni.
“Com base apenas nas provas apresentadas, é difícil concluir que Hanni ouviu comentários de um gerente da Illit, como ‘ignore-a’, que configurassem uma violação de seus direitos de personalidade”, disse o tribunal.
Com isso, a decisão prevê que a Ador não violou o contrato de exclusividade pela demissão de Min Hee Jin como CEO. Como não houve quebra do contrato, o NewJeans segue vinculado à empresa até 31 de julho de 2029.
O retorno
A partir da decisão judicial relacionada aos contratos, o grupo retornou oficialmente à Ador no início de novembro. As integrantes Haerin e Hyein expressaram intenção de continuar suas atividades com a empresa. Horas depois, Minji, Hanni e Danielle também divulgaram comunicado confirmando a decisão de retornar.
“Recentemente, após cuidadosa discussão, decidimos retornar à Ador”, declararam Minji, Hanni e Danielle em nota. A empresa então informou que está verificando a veracidade da intenção de retorno das três integrantes.
Rescisão de Danielle
Em 29 de dezembro de 2025, a Ador anunciou o fim do contrato exclusivo da integrante Danielle com a entidade.
Em nota, a Ador publicou: “No caso de Danielle, determinamos que seria difícil continuar juntos como integrante do NewJeans e artista da Ador e, hoje, notificamos a rescisão de seu contrato exclusivo.”
Em seguida, esclarece que a empresa irá processar a cantora: “Além disso, planejamos buscar responsabilização legal contra um membro da família de Danielle e a ex-CEO Min Heejin, que têm responsabilidade significativa por desencadear esta disputa e pela saída e retorno atrasado do NewJeans.”
No dia seguinte, a empresa oficializou o processo no valor de US$ 33 milhões (cerca de R$ 182 milhões). Segundo a imprensa sul-coreana, o valor da multa “será calculada de acordo com a fórmula estipulada no contrato de exclusividade.”
Fonte: CNN BRASIL